Dívida interna de Moçambique triplica e atinge 6.627 milhões de euros

A dívida pública interna de Moçambique tem vindo a aumentar de forma alarmante, triplicando desde 2020 e atingindo agora 487.266 milhões de meticais, o que equivale a cerca de 6.627 milhões de euros. Este montante representa quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, conforme alerta o Banco de Moçambique no seu recente relatório de Conjuntura Económica e Perspetivas de Inflação.

Em dezembro de 2020, a dívida pública interna era de apenas 155.973 milhões de meticais, ou 2.121 milhões de euros, correspondendo a 14,7% do PIB. Desde então, a situação deteriorou-se, com o peso da dívida pública Moçambique a aumentar significativamente, alcançando agora 29,4% do PIB. Este crescimento contínuo levanta preocupações sobre a saúde financeira do país e o funcionamento do mercado financeiro.

O relatório do Banco de Moçambique destaca que o atraso no cumprimento das obrigações associadas à dívida pública interna, especialmente em relação às Obrigações do Tesouro, tem gerado uma diminuição do interesse dos investidores em novos títulos públicos. Além disso, a rigidez nas taxas de juro no mercado monetário interbancário tem sido uma consequência direta da perceção de elevado risco fiscal por parte dos bancos comerciais.

No primeiro trimestre de 2026, o Estado moçambicano pagou taxas de juro de 12,07%, 12,16% e 12,25% em emissões de Bilhetes do Tesouro, com maturidades de 91, 182 e 364 dias, respetivamente. A taxa de juro média ponderada para as Obrigações do Tesouro com maturidades de três anos fixou-se em 13,50%, mantendo-se estável em relação a períodos anteriores.

A situação da dívida pública Moçambique é ainda mais complexa, uma vez que o país tem realizado sucessivas operações de troca de dívida, que foram classificadas como ‘default’ seletivo pela agência de notação financeira Standard & Poor’s. Esta classificação reflete incumprimentos e trocas de dívida interna que são consideradas operações de incumprimento.

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No final de 2025, Moçambique acumulava atrasos no pagamento do serviço da dívida pública interna que ascendem a quase 4.660 milhões de meticais, ou 63,2 milhões de euros, resultado de dificuldades de tesouraria. O relatório do Ministério das Finanças sublinha que a acumulação de atrasos se deve a constrangimentos na mobilização de receitas, num contexto de desaceleração económica e pressão sobre a liquidez do Tesouro.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também expressou preocupações sobre a insustentabilidade da dívida pública de Moçambique, considerando a dívida externa como de alto risco de insolvência e a dívida global em situação crítica. O FMI aponta que a dívida é atualmente considerada insustentável, principalmente devido à inviabilidade política de um ajuste abrangente que poderia garantir a sustentabilidade da dívida.

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Fonte: Sapo

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