Portugal tem avançado significativamente na promoção da Investigação e Desenvolvimento (I&D), mas a realidade na Região Centro levanta preocupações. Apesar dos apelos à competitividade e à colaboração entre empresas e universidades, a escassez de financiamento está a desincentivar o investimento e a frustrar as expectativas de quem deseja inovar.
Recentemente, candidaturas para o Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento em Copromoção, submetidas na segunda fase (MPr-2025-4), foram rejeitadas na Região Centro. O motivo? A dotação orçamental esgotou-se na primeira fase. Na FI Group by EPSA, temos acompanhado de perto as consequências desta gestão. Até agora, os projetos afetados representam um investimento em I&D que ronda os três milhões de euros. Infelizmente, estas candidaturas, apesar do seu potencial inovador, não foram sequer avaliadas devido à falta de verba.
O problema vai além da mera ausência de financiamento; trata-se de um custo de oportunidade e do esforço desperdiçado. Um projeto de Copromoção não é algo que se elabore rapidamente; requer a colaboração de consórcios que, frequentemente, incluem várias entidades, como universidades, e que dedicam semanas ou meses a definir objetivos comuns e a partilhar conhecimento. Muitas empresas decidiram não submeter as suas candidaturas na primeira fase para as tornar mais robustas, confiando que a estrutura faseada do aviso lhes permitiria um melhor planeamento.
A falta de comunicação atempada é um dos pontos mais críticos. Entre a submissão das candidaturas em setembro de 2025 e a decisão formal em março, passaram-se seis meses de silêncio institucional. O aviso estipulava que as decisões seriam comunicadas em meados de janeiro, mas só agora, em março, é que foram divulgadas, aumentando o tempo de espera e o impacto negativo sobre aqueles que investiram tempo e recursos.
Manter um aviso aberto para candidaturas, mesmo quando a dotação já está esgotada, revela uma grande falha na monitorização e na governança destes processos. Embora o modelo de avisos faseados possa ser vantajoso para o planeamento das empresas, ele exige uma gestão de dotação que seja igualmente dinâmica e transparente. A mensagem que estamos a transmitir às empresas que desejam investir em Portugal, especialmente na Região Centro, é de incerteza. Estamos a dizer-lhes que o seu tempo não tem valor e que a transparência é secundária face à burocracia.
É urgente estabelecer mecanismos de validação rápidos que permitam alertar os promotores ou encerrar fases de submissão assim que os recursos se esgotem. O sucesso da estratégia de inovação em Portugal não pode ser dissociado da eficácia na gestão dos seus instrumentos. Precisamos de um compromisso renovado com a transparência, onde a comunicação entre os organismos gestores e os beneficiários seja ágil e clara. Só assim conseguiremos garantir que o esforço e o talento das nossas empresas e universidades não batam à porta de cofres já vazios, assegurando que Portugal continue a ser um destino fiável e atrativo para o investimento em I&D.
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Fonte: Sapo





