Os bancos tradicionais enfrentam um desafio crescente com a ascensão das fintechs, que já conquistaram cerca de 15% das receitas do setor desde o início dos anos 2000. Um novo estudo da Bain & Company alerta que, apesar dos lucros recorde que a banca está a registar, esta pode estar a viver uma “falsa sensação de segurança”. A previsão é alarmante: até 2030, os bancos tradicionais poderão perder até 35% das suas receitas para as fintechs e empresas tecnológicas.
Globalmente, esta perda de receitas poderá representar entre 5 a 6 biliões de dólares, um valor significativo que deixará de entrar nos cofres das instituições financeiras tradicionais. A análise da Bain & Company revela que, no início dos anos 2000, os bancos dominavam quase todo o mercado, captando mais de 95% das receitas. Hoje, essa quota caiu para 80% e deverá descer para 65% nos próximos quatro anos.
Francisco Montenegro, partner da Bain & Company, explica que “o setor está a perder terreno de forma estrutural para concorrentes digitais que operam com modelos mais ágeis e orientados para dados”. As fintechs estão a atacar áreas críticas como a gestão de património, pagamentos e crédito, utilizando tecnologias inovadoras como a inteligência artificial e as stablecoins.
A pressão competitiva é evidente em várias áreas-chave do setor, incluindo a gestão de património e o mercado de capitais. A Bain & Company delineou seis prioridades estratégicas que os CEOs dos bancos devem considerar para evitar a perda de receitas. A primeira é focar em áreas onde os bancos podem ser verdadeiramente indispensáveis, evitando a dispersão em múltiplos serviços sem uma liderança clara.
Em segundo lugar, é essencial valorizar a confiança como um ativo, uma vez que a transparência e a segurança contra fraudes se tornaram diferenciais competitivos num mercado com tantas opções. O terceiro ponto é a auto-disrupção, que implica recuperar uma cultura ágil, permitindo que as instituições testem e lancem soluções em meses, em vez de anos.
A quarta prioridade é a orquestração de ecossistemas, onde os bancos devem saber quando colaborar ou competir com parceiros tecnológicos. O quinto eixo envolve a modernização radical, reinventando o modelo de negócio com base em dados e inteligência artificial, em vez de apenas atualizar sistemas informáticos.
Por último, a simplificação operacional é crucial para eliminar a burocracia que atrasa a tomada de decisões, especialmente face a concorrentes mais ágeis. Embora a banca continue a desempenhar um papel vital no financiamento da economia e na transição energética, o estudo sublinha que a agilidade e a proximidade ao cliente serão os novos padrões de sucesso num mercado cada vez mais fragmentado.
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Fonte: Sapo





