Alterações à lei da nacionalidade travam captação de talento em Portugal

Ilya Shirokov, CEO do grupo internacional Joom, que está a investir 200 milhões de euros em Portugal, expressou preocupações sobre as alterações à lei da nacionalidade, que serão discutidas no Parlamento. Segundo Shirokov, estas mudanças transmitem “sinais confusos” ao mercado e dificultam a captação de talento estrangeiro.

Em declarações ao ECO, o CEO revelou que muitos candidatos a empregos na sua empresa de comércio eletrónico estão a desistir devido a incertezas sobre a política de imigração em Portugal. A análise da Joom aos processos de recrutamento revelou que, de 100 candidatos selecionados, apenas 20 comparecem à primeira entrevista, resultando em apenas uma contratação.

“O salário médio na Joom é superior a 100 mil euros por ano. No entanto, perdemos recentemente candidatos que optaram por ir para a Alemanha, Amesterdão ou Londres, onde acreditam ter maior estabilidade e a possibilidade de obter passaportes em cinco anos”, afirmou Shirokov durante uma visita ao escritório da empresa em Lisboa, que se tornou a sua sede em 2023.

Embora as alterações à lei da nacionalidade não afetem diretamente os profissionais qualificados, o CEO acredita que o “sinal” enviado à comunidade estrangeira é preocupante. O setor tecnológico em Portugal depende fortemente de talento internacional. “O nosso único polo internacional para especialistas de TI é aqui em Portugal. Contratamos pessoas de todo o mundo e, mensalmente, recebemos candidatos de diversos países. No entanto, muitos expressam desconfiança em relação ao sistema. Gostaria de lhes assegurar que podem confiar”, acrescentou.

A questão que se coloca é se Portugal está realmente empenhado em ser um dos principais polos tecnológicos da Europa. Shirokov defende que é essencial discutir o “futuro estratégico” do país. “Estamos confusos. Antes, havia uma estratégia clara para transformar Portugal num polo tecnológico, semelhante ao Silicon Valley. Essa estratégia visava atrair empresas de TI e desenvolver tecnologia no país. Foi essa visão que nos levou a mudar a sede para Lisboa”, recordou.

Leia também  Isaltino Morais acusado de desvio de 150 mil euros em Oeiras

O CEO da Joom destacou várias iniciativas implementadas na última década que facilitaram a sua decisão de se estabelecer em Portugal, como vistos para startups e nómadas digitais, o regime de Residente Não Habitual (NHR) e o Incentivo Fiscal à Investigação Científica e Inovação (IFICI). Ele também mencionou o investimento de grandes empresas como Google, Microsoft e Cloudflare em território português.

Apesar do compromisso da Joom com Portugal, Shirokov alerta para a “incerteza” e a falta de previsibilidade fiscal. “Portugal compete com Amesterdão, Londres, Berlim e Barcelona. Não estamos a queixar-nos, mas a tentar entender a direção futura e o que podemos esperar, especialmente numa era em que os especialistas em inteligência artificial são altamente procurados”, concluiu.

A discussão sobre a lei da nacionalidade está a ser reavaliada no Parlamento, após ter sido devolvida devido a questões de inconstitucionalidade. As alterações propostas incluem a revisão da Lei da Nacionalidade e mudanças no Código Penal, que poderão ter um impacto significativo na imigração e na captação de talento.

Leia também: O impacto das políticas de imigração no setor tecnológico em Portugal.

lei da nacionalidade Nota: análise relacionada com lei da nacionalidade.

Leia também: Lufthansa destaca importância da expansão do aeroporto de Lisboa

Fonte: ECO

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top