Combustíveis de baixo carbono: uma alternativa viável para o setor automóvel

Os combustíveis de baixo carbono estão a ganhar destaque no debate sobre a descarbonização do setor automóvel em Portugal. Recentemente, foi encomendado um estudo por parte da Plataforma para os Combustíveis de Baixo Carbono, envolvendo instituições de ensino superior como a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa e os Institutos Politécnicos de Setúbal e Leiria.

Nos últimos anos, assistimos a um entusiasmo crescente em torno dos veículos elétricos (VE), especialmente entre os primeiros adotantes. Contudo, muitos destes consumidores começaram a sentir desilusão, uma vez que os VE ainda não satisfazem plenamente as suas necessidades em viagens longas. Como resultado, alguns voltaram a optar por veículos de combustão interna (VCI) ou híbridos.

A ideia de que a descarbonização do setor automóvel depende exclusivamente da eletrificação tem vindo a ser questionada. O estudo revela que a introdução de combustíveis de baixo carbono nas frotas de VCI pode ser uma alternativa mais gradual e realista. Este tipo de combustíveis, como os biocombustíveis de 2ª geração, são produzidos a partir de resíduos agrícolas e alimentares, alinhando-se com os princípios da economia circular e evitando conflitos com as matérias-primas alimentares.

De acordo com as previsões, o consumo de gasolina em Portugal deverá continuar a aumentar até 2030, enquanto o uso de gasóleo poderá sofrer uma ligeira diminuição. Este cenário abre uma oportunidade significativa para a incorporação de combustíveis de baixo carbono nas frotas existentes, substituindo gradualmente os combustíveis fósseis.

O estudo também destaca o potencial do biometano nas frotas automóveis, embora a sua utilização esteja limitada pela escassa frota movida a gás natural. No entanto, a transição do gás natural para o biometano é considerada uma opção viável e fácil de implementar.

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A atual crise energética sublinha a relevância dos combustíveis de baixo carbono, não apenas como uma solução para a descarbonização das frotas, mas também como uma alternativa complementar à eletrificação. Esta abordagem pode contribuir para a redução da dependência dos combustíveis derivados do petróleo, promovendo uma maior independência energética no setor automóvel.

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Fonte: Sapo

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