A criminalidade económico-financeira registou um aumento significativo em 2025, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) apresentado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro. O branqueamento de capitais destacou-se como o principal motor deste fenómeno, com um crescimento de 42% em relação ao ano anterior. O número de inquéritos nesta área subiu 22%, enquanto o número de arguidos aumentou 49,6% e o de detidos disparou 154%.
O relatório revela que, apesar do aumento da criminalidade geral, a criminalidade grave e violenta apresentou uma diminuição. O branqueamento de capitais, que agora representa a maior parte das infrações económico-financeiras, superou a corrupção ativa, que também registou um aumento de 17%. Esta tendência é atribuída à crescente utilização de plataformas digitais e à integração de vantagens ilícitas em circuitos financeiros internacionais.
O RASI indica uma transformação no perfil da criminalidade económico-financeira, que agora está mais ligada à tecnologia e ao anonimato digital. Casos de fraude com criptomoedas, falsas plataformas de investimento e o uso da deep web para operações ilícitas estão a tornar-se cada vez mais comuns. No entanto, o relatório não fornece detalhes sobre a relação entre o branqueamento e outros crimes, como a fraude digital ou a corrupção, o que limita uma análise mais aprofundada.
Além disso, a criminalidade informática, que foi analisada separadamente, também aumentou, com uma subida de 13,4% em 2025. O número de arguidos nesta área ascendeu a 2.559, representando um aumento de 28,5% em relação ao ano anterior. O relatório destaca como principais ameaças o ransomware, phishing e burlas online, que estão a ser impulsionadas pela digitalização da economia.
Os crimes associados a meios de pagamento eletrónicos continuam a crescer, com fraudes que ascendem a cerca de 14,7 milhões de euros apenas em esquemas relacionados com criptomoedas. O RASI sugere que muitos dos esquemas digitais acabam por resultar em branqueamento de capitais, reforçando a interligação entre a criminalidade económica e a informática.
Por outro lado, a criminalidade associada à moeda falsa apresentou um movimento misto. Embora a contrafação tenha diminuído 31,6%, as apreensões de euros aumentaram 28,4%, totalizando 952,8 mil euros. O relatório indica que a maioria dos casos de moeda falsa está relacionada com operações de depósito bancário, mas também destaca um aumento na contrafação adquirida online.
Em suma, o relatório de 2025 revela um panorama preocupante da criminalidade económico-financeira em Portugal, com o branqueamento de capitais a assumir um papel central. A interligação entre fraudes digitais e crimes financeiros sugere a necessidade de uma abordagem mais integrada na luta contra este tipo de criminalidade. Leia também: O impacto da digitalização na segurança financeira.
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Fonte: ECO





