A revolução da Inteligência Artificial (IA) enfrenta um desafio maior do que a tecnologia em si: a adaptação humana. Apesar das ferramentas já estarem disponíveis, tanto trabalhadores como empresas precisam aprender a utilizá-las e a conviver com elas. Esta transição levanta questões que vão além da tecnologia, abordando temas como formação, cultura empresarial e direitos laborais.
A ansiedade em relação à obsolescência de alguns empregos e a sensação de desadaptação tecnológica podem resultar em stress e perda de autoestima profissional. Essa situação dificulta a integração da IA, tanto para os trabalhadores quanto para os empregadores. Portanto, o que fazer?
Num cenário de transformação digital, é essencial investir na formação em IA. Este processo de capacitação visa preparar os trabalhadores para utilizar a nova tecnologia e para assumir funções que correspondam às exigências de um mercado em constante evolução. O Regulamento da IA, que entra em vigor em fevereiro de 2025, exige que os utilizadores tenham literacia em IA, reconhecendo a importância do conhecimento para uma utilização responsável.
Embora a proposta do Digital Omnibus pretenda aliviar a obrigação de formação, a capacitação em IA vai muito além do cumprimento de uma norma. Para as empresas, é do seu interesse garantir que os profissionais sejam agentes ativos na transformação digital, evitando riscos reputacionais e operacionais que podem surgir da utilização inadequada da IA.
A formação em IA deve ser encarada como uma prioridade estratégica, tanto para empregadores quanto para trabalhadores. Contudo, não se trata de uma formação padrão. É necessário um trabalho de “alfaiataria formativa”, adaptado às necessidades específicas de cada empresa e dos seus colaboradores. Cada organização deve realizar um diagnóstico personalizado, considerando as ferramentas de IA disponíveis e os contextos de utilização.
Além disso, a formação deve ser concebida para abordar as diferentes perspetivas dentro da empresa. É importante reconhecer que, numa mesma organização, podem existir variados níveis de maturidade e expectativas em relação à IA.
Num ambiente de mudança rápida, as empresas devem ver o investimento na formação e requalificação dos trabalhadores como uma prioridade. Isso não só fomenta a inovação e a competitividade, como também ajuda a reter talento e a melhorar a produtividade. Para os trabalhadores, é fundamental entender que a verdadeira concorrência não será entre humanos e IA, mas entre aqueles que sabem utilizar a IA e aqueles que não sabem. O conhecimento em IA pode, em breve, ser uma questão de “sobrevivência laboral”.
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Fonte: ECO





