A lição da China: inovação e planejamento estratégico

A indústria automóvel chinesa está a passar por uma transformação significativa, que pode servir de exemplo para outros países, incluindo Portugal. Nos anos 80, o UMM, um jipe português, gerou entusiasmo, mas não conseguiu alcançar um impacto duradouro. Hoje, a China está a fabricar automóveis elétricos com qualidade superior e a preços muito mais competitivos, entre 20 a 40% inferiores aos modelos europeus. Por exemplo, o custo de produção de um BYD Seal é 43% inferior ao de um VW ID.3.

Atualmente, existem mais de 70 marcas de automóveis na China, todas em intensa competição pelo mercado interno. Esta rivalidade está a preparar o terreno para a expansão internacional, especialmente quando as aprovações regulamentares na União Europeia forem obtidas. Em 2025, a China já terá produzido mais carros (27 milhões) do que o Japão (25 milhões), o que demonstra a força crescente da sua indústria automóvel.

O governo chinês está a intervir para evitar que o setor caia na armadilha da involução, onde a atividade não resulta em progresso real. A ênfase está na inovação e no aumento da produtividade, em vez de se contentar com produtos de baixo custo. Xi Jinping reconheceu que a dependência excessiva das exportações, como a Alemanha, pode ser prejudicial. Assim, o investimento e o consumo interno tornaram-se prioridades no mais recente plano quinquenal.

A China está a apostar no desenvolvimento de indústrias de valor acrescentado, o que não só impulsiona a economia, mas também melhora a qualidade de vida da sua população. Num país com 1,4 mil milhões de habitantes, as mudanças podem demorar, mas a evolução é visível. A centralidade económica do mundo está a deslocar-se para o Oriente, com a China a representar 20% do PIB mundial, em comparação com os 26% dos EUA e 17% da UE.

Leia também  Como Usar Opções para Melhorar os Seus Investimentos

Além da indústria automóvel, a China está a preparar-se para competir na aviação com o C919, que poderá rivalizar com o Boeing 737 e o Airbus A320. Esta evolução terá um impacto significativo nas empresas ocidentais, como a Boeing e a Airbus.

Portugal, por sua vez, poderia aprender com esta abordagem estratégica. A falta de um plano claro e de uma escolha de setores chave para o desenvolvimento tem sido uma limitação. O êxito do país nas energias renováveis é um exemplo de como a escolha pública pode levar a resultados positivos. Contudo, a política portuguesa muitas vezes se concentra em questões efémeras, sem a visão de longo prazo necessária para um desenvolvimento sustentável.

Em suma, a indústria automóvel chinesa não é apenas um exemplo de inovação, mas também um modelo de planejamento estratégico que Portugal pode e deve considerar. Leia também: O futuro da indústria automóvel em Portugal.

Leia também: Aprovada pílula para emagrecimento da Eli Lilly nos EUA

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top