O ano de 2026 pode ser lembrado como o ano do terceiro choque petrolífero, à medida que a situação no Médio Oriente continua a evoluir. Embora ainda seja cedo para prever as consequências exatas, os eventos recentes sugerem que o impacto na economia global será significativo.
Historicamente, o primeiro choque petrolífero ocorreu entre outubro de 1973 e janeiro de 1974, durante a guerra do Yom Kippur, que opôs Israel a uma coligação árabe liderada pelo Egipto e pela Síria. O preço do petróleo quadruplicou em apenas quatro meses, desencadeando a primeira recessão global do pós-Segunda Guerra Mundial e uma aceleração da inflação, um fenómeno que ficou conhecido como estagflação. Curiosamente, o Irão, apesar de não ter participado diretamente no conflito, manteve o fornecimento de petróleo a Israel, alinhando-se com os Estados Unidos.
Os efeitos deste primeiro choque foram assimétricos. Enquanto os Estados Unidos fortaleceram a sua posição como produtores de petróleo e o dólar recuperou a sua hegemonia, a Europa, dependente de importações de energia, enfrentou custos de produção elevados e uma perda de competitividade que nunca conseguiu totalmente recuperar. Contudo, esta crise energética também impulsionou a integração europeia, culminando na criação do Sistema Monetário Europeu em 1979.
O segundo choque petrolífero ocorreu na transição entre 1979 e 1980, com a revolução islâmica no Irão e a guerra Irão-Iraque. O preço do petróleo duplicou, e a disrupção prolongou-se, tornando o mercado estruturalmente instável. Novamente, os Estados Unidos conseguiram recuperar a sua hegemonia, enquanto a Europa enfrentou uma nova onda de desafios económicos.
Agora, o terceiro choque petrolífero parece estar a desenhar-se, com os mesmos protagonistas, mas uma nova dinâmica de impactos. A Europa já foi severamente afetada pelos aumentos nos preços da energia devido à guerra na Ucrânia e agora enfrenta um novo desafio que pode ter consequências dramáticas.
A principal diferença deste terceiro choque é o contexto global atual, onde a relação de forças mudou significativamente. A emergência da China e de outros actores globais dificulta a recuperação da hegemonia americana, que se afirmava desde o final da Segunda Guerra Mundial. A grande questão que se coloca é se a Europa terá capacidade para dar um novo salto em direção à sua autonomia económica e estratégica, afirmando-se como um actor relevante no cenário global.
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Fonte: Sapo





