A entrega do IRS automático tem gerado dúvidas entre os contribuintes. Esta opção, que promete facilitar o processo de declaração, apresenta tanto vantagens como desvantagens. Por um lado, é uma solução prática, que permite a entrega imediata da declaração, evitando esquecimentos e penalizações. Além disso, os reembolsos são processados de forma mais rápida. No entanto, nem sempre é a escolha mais vantajosa, conforme alertam especialistas em fiscalidade.
Uma das principais desvantagens do IRS automático é que nem todas as despesas dedutíveis estão pré-inscritas. Despesas com educação, formação e rendas, por exemplo, podem não estar incluídas, o que pode resultar em um reembolso inferior. Frequentemente, os filhos, que proporcionam deduções adicionais, também não aparecem na declaração automática, mesmo que o contribuinte tenha atualizado o agregado familiar no portal das Finanças.
A Deco Proteste aconselha os contribuintes a realizar várias simulações antes de optar pelo IRS automático. A porta-voz Soraia Leite explica que é essencial verificar se a entrega conjunta ou separada é mais benéfica, assim como a inclusão de rendimentos sujeitos a taxas liberatórias. “Fazer simulações ajuda a garantir que todas as deduções à coleta estão corretas”, afirma.
Eduardo Silva, diretor da consultora Yunit, reforça que o IRS automático pode deixar de fora despesas importantes, como as relacionadas com rendas e formação. “É preferível optar pelo preenchimento manual para garantir que todos os dados dos dependentes e encargos são incluídos”, recomenda. Este ano, os contribuintes podem abater até 600 euros ao imposto a liquidar por despesas com rendas.
João Espanha, fiscalista da Broseta, também alerta que o IRS automático é uma opção cómoda, mas que pode não contemplar todas as situações. “Rendimentos de capitais, mais-valias e despesas dedutíveis, como quotas sindicais, podem não estar incluídos na declaração automática”, explica. É fundamental que os contribuintes verifiquem os dados pré-preenchidos e adicionem o que estiver em falta.
O prazo para a entrega do IRS termina a 30 de junho. Quem não cumprir esta data pode enfrentar multas a partir de 25 euros. Contudo, se optar pelo IRS automático e esquecer de submeter a declaração, esta será aceite automaticamente, evitando penalizações. Para os casais, a tributação será considerada separada por defeito, mesmo que não seja a opção mais vantajosa.
Recentemente, o IRS automático foi alargado a mais contribuintes, incluindo aqueles que declararam salários de trabalhadores domésticos e beneficiários do IRS Jovem. Este ano, mais de 200 mil jovens poderão utilizar este mecanismo pela primeira vez. Desde 2021, trabalhadores independentes também têm acesso a esta funcionalidade, que simplifica a entrega das declarações.
Os contribuintes que não se enquadram no IRS automático devem preencher a declaração manualmente. Os que optarem pelo IRS automático devem receber o reembolso em menos de duas semanas, enquanto os que entregam pela via normal poderão esperar entre três a três semanas e meia. A secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, espera que os prazos médios de reembolso sejam semelhantes aos do ano anterior.
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Fonte: ECO





