Mercados recuperam apesar da incerteza no Médio Oriente

Na última semana, os mercados acionistas apresentaram uma recuperação notável, mesmo com a continuidade do conflito no Médio Oriente. Esta recuperação ocorreu numa semana encurtada, devido ao encerramento dos mercados na Sexta-Feira Santa. O ouro também voltou a subir, impulsionado pela descida dos rendimentos do Tesouro, que caíram entre 10 e 20 pontos base. Apesar do aumento dos preços do petróleo nos EUA, o Brent, que é a principal referência para a Europa, manteve-se praticamente estável.

Do ponto de vista macroeconómico, os sinais foram mistos, mas revelaram uma resiliência da economia norte-americana. O índice ISM industrial de março superou as expectativas, indicando uma expansão da atividade no setor industrial dos EUA. Contudo, os subíndices mostraram um aumento significativo nos preços pagos, o que reacendeu preocupações sobre a inflação e complicou a possibilidade de uma descida das taxas de juro pela Reserva Federal. Presentemente, o mercado não prevê alterações nas taxas de juro da Fed nos próximos 16 meses, mantendo-se no intervalo de 3,50% a 3,75%. Assim, a expectativa de taxas de juro elevadas por um período prolongado voltou a ser um tema relevante.

Na China, os dados do Caixin PMI industrial apontaram para uma desaceleração do crescimento, que, embora ainda se mantenha em território de expansão, ficou abaixo das expectativas. Este abrandamento, aliado a pressões persistentes nos custos, levanta questões sobre a robustez da procura interna e externa.

Na Europa, a situação macroeconómica também foi mista. A inflação acelerou, principalmente devido à componente energética, enquanto a inflação subjacente apresentou uma moderação. Os indicadores de atividade, como os PMI industriais, mostraram alguma melhoria, embora ainda condicionados por constrangimentos na oferta.

No que diz respeito ao desempenho empresarial, a Nike teve um desempenho negativo, com uma queda acentuada nas suas ações após a divulgação de resultados que, apesar de ligeiramente superiores às expectativas, vieram acompanhados de previsões de vendas mais fracas. A empresa antecipou uma contração nas vendas para o trimestre atual e indicou uma deterioração significativa no mercado chinês, um dos seus principais motores de crescimento.

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No setor tecnológico europeu, a Nokia também enfrentou dificuldades, com o mercado a reagir negativamente a previsões de crescimento mais fracas e a um cenário desafiador para o investimento em infraestruturas de telecomunicações. De forma mais geral, várias empresas ligadas ao consumo discricionário mostraram uma maior cautela nas suas perspetivas, refletindo os sinais de abrandamento da economia chinesa e a incerteza em torno das taxas de juro.

Em resumo, a semana reforçou a ideia de que os mercados acionistas continuam a mostrar resiliência, mesmo em face de um quadro económico global complexo e com riscos inflacionistas a emergirem novamente, especialmente devido ao aumento dos preços da energia. Este cenário continua a influenciar as expectativas de política monetária e o comportamento dos mercados. O risco de estagflação tornou-se mais evidente.

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Fonte: Sapo

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