A discussão sobre a eficácia das medidas fiscais para promover a igualdade de género e a natalidade em Portugal ganhou destaque recentemente. Especialistas em fiscalidade e investimento defendem que, para além dos incentivos fiscais, é crucial que o Estado e as empresas implementem políticas de apoio aos colaboradores. A análise das consequências das medidas no Orçamento do Estado, especialmente os efeitos nas vidas de homens e mulheres, é uma prioridade.
Durante o programa “Mulheres com ECO”, especialistas como Anabela Silva da EY Portugal e Cláudia Falcão da Jerónimo Martins abordaram a falta de testes de impacto nas diversas medidas fiscais, incluindo o IRS. Anabela Silva destacou que, mesmo com deduções específicas, os limites globais podem tornar o efeito prático nulo. A necessidade de uma avaliação de impacto de género nos orçamentos foi enfatizada, pois países que adotam essa abordagem conseguem ter uma maior consciência do impacto das suas políticas.
Rosa Areias, da PwC, sublinhou que os incentivos fiscais são essenciais, mas devem ser acompanhados por medidas que garantam que as mulheres possam focar nas suas carreiras. A partilha de licenças de parentalidade e o suporte a encargos com cuidados infantis são exemplos de como o Estado pode intervir.
A diretora de Relação com os Investidores da Jerónimo Martins, Cláudia Falcão, alertou para a sub-representação das mulheres no mercado de capitais, uma realidade que se agrava à medida que se sobe na hierarquia. Contudo, no seu departamento financeiro, a situação é diferente, com uma maioria de mulheres em cargos de liderança.
Filipa Xavier de Basto, da Ó Capital, destacou a necessidade de fomentar a atenção a estas questões nas pequenas e médias empresas, onde a desigualdade salarial é mais evidente. A transparência nas informações salariais é fundamental para que todos os intervenientes no mercado estejam alinhados e possam trabalhar em conjunto.
Anabela Silva também abordou a importância da transparência salarial, especialmente com a aproximação da diretiva europeia que exige que as empresas revelem informações sobre salários. Esta medida visa combater a assimetria de informação que atualmente permite práticas discriminatórias.
As especialistas concordam que, apesar dos avanços, ainda há um longo caminho a percorrer para aumentar a representatividade feminina no mercado financeiro. A nova diretiva de transparência salarial, que entrará em vigor em breve, promete ser um passo importante para reduzir a desigualdade de género nas empresas.
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Fonte: ECO





