Num recente relatório da resseguradora Munich Re, intitulado “Cyber insurance: Risks and trends 2026”, é destacado que os riscos cibernéticos estão a aumentar, impulsionados pela instabilidade geopolítica e pelo avanço da Inteligência Artificial. As empresas continuam a ser vulneráveis, e o seguro cibernético assume um papel cada vez mais crucial na proteção contra ciberataques.
O relatório identifica os principais motores de perdas seguradas, sendo os ataques de ransomware, violações de dados, comprometimento de e-mail empresarial (BEC) e ataques DDoS (Distributed Denial of Service) os mais relevantes. As entidades governamentais são as mais afetadas, seguidas pelos setores industrial e tecnológico, refletindo a atenção que os cibercriminosos dão a infraestruturas críticas e ativos digitais de elevado valor. O setor financeiro aparece como o quarto mais atingido, enquanto a indústria farmacêutica e automóvel são as menos impactadas.
A análise da Munich Re revela uma distinção importante entre os tipos de incidentes: para cada três eventos maliciosos, existe um evento não malicioso, muitas vezes relacionado a erros humanos ou falhas de software. Este dado sublinha a complexidade dos ciberataques e a necessidade de uma abordagem multifacetada na sua prevenção.
Em termos de estrutura dos sinistros, 62% das perdas correspondem a prejuízos da própria organização afetada, como interrupções de negócio e custos de resposta a incidentes. Os restantes 38% referem-se a sinistros de terceiros, cobrindo responsabilidades relacionadas com a violação da privacidade de clientes ou parceiros. É importante notar que a maioria das vítimas de ciberataques são micro e pequenas e médias empresas (PME), que muitas vezes não estão preparadas para lidar com tais incidentes.
As conclusões do relatório indicam a necessidade de uma mudança na forma como as empresas encaram o risco cibernético. A prevenção é essencial, mas não é suficiente. Quando um ataque ocorre, a capacidade de resposta e recuperação pode ser a diferença entre uma interrupção temporária e prejuízos significativos. O seguro cibernético deve ser visto como uma necessidade para empresas de todas as dimensões, e é crucial trabalhar para reduzir a lacuna de proteção neste segmento.
Jürgen Reinhart, chief underwriter cyber da Munich Re, destaca que a maioria dos riscos cibernéticos permanece sem cobertura, apesar de serem seguráveis. O “Cyber Risk and Insurance Survey 2026” revela que quase 90% dos gestores de topo não consideram que suas empresas estejam adequadamente protegidas contra ciberataques, o que sublinha a urgência de uma resposta mais robusta por parte das seguradoras. O seguro cibernético demonstrou a sua eficácia e está preparado para crescer, sendo uma ferramenta vital na mitigação dos impactos financeiros dos ciberataques.
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Fonte: ECO





