O dólar norte-americano tem registado uma valorização significativa ao longo deste ano, impulsionada por diversos fatores, incluindo o conflito no Médio Oriente e a expectativa de inflação. No entanto, a gestora de ativos Nordea prevê que esta tendência pode inverter-se, com uma desvalorização do dólar face ao euro até 2027. Este cenário é considerado plausível por vários analistas financeiros.
Desde o pico de 27 de janeiro, em que o euro estava cotado a 1,2016 dólares, a moeda europeia perdeu cerca de 4,6%, situando-se agora em 1,14632 dólares, de acordo com dados de 30 de março. Apesar de uma valorização de 5,9% do euro no último ano, a recente queda de 2,9% em apenas um mês levanta questões sobre a sustentabilidade da força do dólar.
Henrique Valente, analista da ActivTrades, explica que a valorização do dólar se deve, em parte, ao aumento das expectativas de inflação, que limitam a margem para cortes nas taxas de juro nos Estados Unidos. Adicionalmente, em tempos de incerteza, os investidores tendem a procurar segurança em ativos denominados em dólares, reforçando a procura pela moeda.
Nuno Oliveira Matos, presidente da Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais (ATM), destaca que a diferença nas políticas monetárias entre a Reserva Federal dos EUA e o Banco Central Europeu tem sido um motor importante para a valorização do dólar. A Fed tem mantido uma postura mais restritiva, enquanto o BCE tem adotado uma abordagem mais acomodatícia, o que tem favorecido o dólar.
Apesar da recente força do dólar, a Nordea alerta para os desafios a longo prazo. A gestora prevê que a moeda norte-americana pode desvalorizar até 1,22 dólares até ao final deste ano e até 1,26 dólares em 2027. Os analistas apontam para os grandes défices orçamentais dos EUA e a crescente dependência de capital estrangeiro como fatores que podem pressionar a moeda para baixo.
A desvalorização do dólar é vista como uma possibilidade real, especialmente se a política monetária da Fed se tornar mais flexível. Nuno Oliveira Matos sublinha que a projeção da Nordea depende de várias condições, incluindo uma recuperação modesta da economia europeia e uma diminuição do prémio geopolítico associado ao dólar.
Por outro lado, Paulo Monteiro Rosa, economista do Banco Carregosa, reforça que a resiliência da economia americana e a sua autossuficiência em combustíveis fósseis podem continuar a sustentar o dólar, mesmo em face de incertezas. No entanto, ele também reconhece que a pressão sobre a moeda pode aumentar se os investidores começarem a exigir maiores retornos sobre a dívida dos EUA.
Em suma, a desvalorização do dólar é uma possibilidade que muitos analistas consideram viável, mas a sua concretização dependerá de vários fatores económicos e geopolíticos. Leia também: O impacto das tensões geopolíticas nas moedas internacionais.
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Fonte: Sapo





