O mês de março foi marcado por uma significativa instabilidade nos mercados financeiros internacionais, impulsionada pelo agravamento do conflito no Irão. O índice global MSCI World registou uma descida de 6,6%, anulando os ganhos obtidos no início do ano e retrocedendo a níveis de novembro de 2015, segundo a análise da Maxyield.
Contudo, o PSI português mostrou uma resiliência notável, recuando apenas 1,6% em março, uma queda bem inferior à observada em outros mercados. Surpreendentemente, o índice nacional mantém uma valorização de 10,5% desde o início do ano, destacando-se em um cenário global de incerteza.
O PSI encerrou março nos 9.131,6 pontos, interrompendo a trajetória de crescimento que se verificou em janeiro e fevereiro. O mês foi caracterizado por elevada volatilidade, com o índice a quebrar temporariamente a barreira dos 9.000 pontos, embora tenha conseguido recuperar na fase final do mês.
Em termos homólogos, o PSI apresenta uma subida expressiva de 33% em relação a março de 2025. No entanto, o desempenho das cotadas foi desigual, com a Galp a destacar-se com um aumento de 15,3%, impulsionada pela escalada dos preços do petróleo, enquanto a Teixeira Duarte liderou as quedas com uma desvalorização de 19,1%. Apenas cinco empresas conseguiram registar ganhos no mês, enquanto onze sofreram perdas, refletindo a pressão e a incerteza nos mercados.
Desde o início de 2026, o PSI português tem mantido uma trajetória positiva, impulsionada principalmente pelos setores energético, petrolífero e retalhista. A Galp lidera os ganhos anuais com uma valorização de 43,6%, enquanto a Teixeira Duarte apresenta a maior queda, com -35,4%. A Maxyield indica que o índice português continua em um ciclo de “bull market”, que já dura cerca de seis anos, resistindo a períodos de queda global, como os bear markets de 2022 e abril de 2025 nos Estados Unidos.
Entretanto, indicadores como o PER (price-to-earnings ratio) sugerem um possível sobreaquecimento do mercado, embora a queda de março tenha ajudado a corrigir parcialmente essa situação. O cenário internacional foi marcado por perdas acentuadas, com o S&P 500 a cair 5,1% em março e a acumular uma perda anual de 4,6%. Na Europa, o índice STOXX 600 registou uma queda de 8%, apresentando uma variação anual negativa de 1,5%. Os mercados asiáticos também não escaparam, com o índice sul-coreano KOSPI a entrar em bear market após uma queda próxima de 20%.
O choque petrolífero associado ao conflito no Irão tem sido o principal fator de instabilidade, elevando os preços do crude a níveis semelhantes aos da crise energética de 2022. Este cenário levanta preocupações sobre o aumento da inflação e a possibilidade de novas subidas das taxas de juro. Analistas alertam que a continuidade do conflito poderá levar os mercados globais a um bear market, embora, por enquanto, não se antecipe um crash bolsista, dado que parte dos riscos já está refletida nos preços.
Comparativamente, o PSI português apresenta uma performance superior a mercados como o IBEX 35, que caiu 7,1% em março, e supera também os principais índices europeus e norte-americanos, tanto em termos mensais como anuais. Esta resiliência é atribuída à composição setorial do índice português, que é menos exposto ao setor financeiro e mais concentrado em energia e retalho, áreas que têm mostrado um desempenho mais robusto.
Os próximos meses serão cruciais, com reuniões de política monetária da Reserva Federal, do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra agendadas para abril. Os dados sobre inflação e emprego nos EUA serão determinantes para a evolução dos mercados. Em Portugal, a época de apresentação de resultados e pagamento de dividendos deverá aumentar o interesse dos investidores, com um novo máximo histórico de dividendos do PSI esperado, próximo dos 3,1 mil milhões de euros relativos a 2025. Leia também: O impacto da inflação nos mercados financeiros.
PSI português PSI português Nota: análise relacionada com PSI português.
Leia também: Ações da Circle Internet sobem 14,3% em março, mas caem em abril
Fonte: Sapo





