A organização não-governamental Encontro Africano para a Defesa dos Direitos Humanos (RADDHO) expressou hoje a sua “profunda consternação” pela morte do ativista guineense Vigário Balanta, ocorrida na Guiné-Bissau. A RADDHO exige uma “investigação independente” para esclarecer as circunstâncias que rodearam a sua morte.
Vigário Luis Balanta, que coordenava o movimento “Po di Terra”, foi encontrado sem vida a 31 de março nos arrozais de Ndam Lero, nas proximidades da capital, Bissau. Em comunicado, a RADDHO manifestou a sua indignação pela morte trágica deste defensor dos direitos humanos, cuja morte ocorreu em circunstâncias alarmantes.
Segundo informações recolhidas pela RADDHO, Balanta foi raptado durante uma conferência de imprensa pública e levado para uma esquadra de polícia, antes de ser encontrado morto. A organização considera que, se confirmados, estes factos podem configurar uma execução extrajudicial e condena veementemente o rapto e o assassinato do ativista.
A RADDHO apela às autoridades guineenses para que iniciem imediatamente uma investigação independente, transparente e imparcial sobre as circunstâncias da morte de Vigário Balanta. A pressão por justiça aumentou após o funeral, quando centenas de pessoas se reuniram na capital para exigir respostas, sendo dispersas pela polícia com bastões e gás lacrimogéneo, segundo a agência France-Presse.
O Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também se manifestou sobre o caso, expressando choque pela morte de Balanta, que descreveu como um “assassinato brutal”. A ONU pediu que as autoridades guineenses investiguem o crime de forma imparcial e levem os responsáveis à Justiça, denunciando ainda a detenção arbitrária e a intimidação de membros da oposição e defensores dos direitos humanos.
A RADDHO junta-se assim a outros apelos por uma investigação, incluindo aqueles feitos pelo Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos e pelo partido da oposição moçambicano Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), que repudiaram o “brutal” assassinato de Balanta. Eles exigem que as autoridades da Guiné-Bissau realizem uma investigação “célere, transparente e independente” para responsabilizar os autores do crime.
A Guiné-Bissau vive um período de instabilidade, sob governo militar desde 26 de novembro, após a deposição do presidente cessante Umaro Sissoco Embaló e a suspensão do processo eleitoral. A morte de Vigário Balanta levanta preocupações sobre a situação dos direitos humanos no país.
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Vigário Balanta Vigário Balanta Nota: análise relacionada com Vigário Balanta.
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Fonte: Sapo

