As tensões entre os Estados Unidos e o Irão voltaram a agitar os mercados, levando a uma subida no preço do petróleo. Após um fim de semana marcado por confrontos e ameaças, os investidores estão a monitorizar de perto a situação. Na abertura da sessão de Wall Street, as bolsas reagiram positivamente a notícias sobre um possível cessar-fogo mediado pelo Paquistão, embora a esperança tenha sido rapidamente ofuscada por novas ameaças de Donald Trump.
O chamado “acordo de Islamabad” propõe que o Irão se comprometa a não desenvolver armas nucleares em troca de uma redução das sanções internacionais. Contudo, Trump não hesitou em advertir que o Irão poderia enfrentar consequências devastadoras, incluindo a destruição de infraestruturas energéticas, caso não aceitasse o cessar-fogo até a madrugada de quarta-feira.
A recusa do Irão em aceitar a proposta de cessar-fogo de 45 dias, que considerou “ilógica”, aumentou a incerteza no mercado. O preço do petróleo Brent para entrega em junho subiu 0,68%, fixando-se nos 109,77 dólares por barril, enquanto o WTI também registou uma alta, situando-se em torno dos 110,35 dólares. Apesar do aumento do tráfego no Estreito de Ormuz, que aliviou preocupações sobre interrupções no abastecimento, os riscos de escalada permanecem elevados.
O Irão não só ameaçou retaliar contra aliados dos EUA em caso de ataque, como também considerou o encerramento do Estreito de Bab al-Mandab, uma rota crucial para o transporte de petróleo. Juntas, as rotas de Ormuz e Bab al-Mandab representam cerca de 25% do transporte global de petróleo, segundo a corretora XTB.
Os índices S&P e os preços do crude mostraram pouca variação na abertura, mas ambos registaram uma ligeira subida nas primeiras horas de negociação. O mercado parece estar à espera do desenrolar da situação, com um impasse entre Trump, o Irão e os investidores.
Um ano após o chamado Dia da Libertação, as tarifas dos EUA continuam a influenciar o mercado, que agora enfrenta a pressão da guerra no Irão e o ressurgimento da inflação. Mauro Valle, responsável de obrigações da Generali AM, explica que a mudança geopolítica está a obrigar os bancos centrais a equilibrar a inflação e o crescimento num cenário de incerteza.
O dólar, por sua vez, mantém-se fraco devido a défices e à fragmentação dos fluxos de capital, embora possa fortalecer-se em momentos de aversão ao risco. O ouro, por outro lado, manteve-se firme em meio à incerteza geopolítica, refletindo as tensões criadas pelo ultimato de Trump.
No calendário económico, os dados sobre as encomendas de bens duradouros nos EUA são esperados com expectativa, prevendo-se uma queda de 1,0%. Além disso, serão divulgados dados sobre o emprego privado e o crédito ao consumidor, que ajudarão a avaliar a resiliência do consumo interno.
As bolsas europeias, que estiveram fechadas na segunda-feira, reabrem nesta terça-feira, e os investidores aguardam com expectativa os desenvolvimentos em torno do preço do petróleo e as tensões no Médio Oriente.
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Fonte: Sapo





