Portugal enfrenta um desafio significativo no que diz respeito ao investimento direto estrangeiro, que caiu 35% em 2025, passando de 13,2 mil milhões de euros para apenas 8,5 mil milhões. Este é o valor mais baixo desde a pandemia e representa uma perda de quase 4,7 mil milhões de euros em um único ano. A situação exige uma análise cuidadosa e uma resposta estratégica para inverter esta tendência.
As razões para esta queda não são exclusivamente estruturais. Parte da diminuição deve-se a operações de reorganização interna de grupos empresariais e à redução de dívida intragrupo, o que pode distorcer a interpretação dos fluxos anuais. Além disso, o contexto europeu é desfavorável, caracterizado por taxas de juro elevadas, incerteza geopolítica e cadeias de abastecimento em reconfiguração. Apesar disso, Portugal continua a figurar entre os 10 países europeus mais atrativos para investimento direto estrangeiro, com um aumento de 21% no número de novos projetos captados em 2024.
Contudo, existem sinais preocupantes que não devem ser ignorados. A percentagem de executivos internacionais que planeiam expandir operações em Portugal caiu de 84% para 60% num único ciclo de avaliação. Os investidores destacam três áreas prioritárias: simplificação fiscal, acesso ao capital e qualidade das infraestruturas. Estas questões não dependem apenas do Governo central, mas também da ação dos municípios.
Num cenário global instável, Portugal possui uma vantagem que muitas vezes não recebe a devida atenção: a sua localização geográfica e estabilidade política em relação a focos de conflito internacional. Enquanto o Leste europeu enfrenta guerras e o Médio Oriente lida com tensões que afetam as cadeias logísticas, Portugal destaca-se como um território europeu com uma estabilidade geopolítica significativa. Esta condição é um argumento forte para investidores que buscam segurança a longo prazo para as suas operações e ativos.
Os autarcas da Área Metropolitana de Lisboa desempenham um papel crucial neste contexto. A Grande Lisboa concentra 53% do stock de investimento direto estrangeiro nacional, o que implica uma responsabilidade proporcional. Num ambiente em que a captação de investimento se torna cada vez mais competitiva, os municípios não podem esperar que o investimento chegue por si só. É fundamental que adotem uma postura proativa, com estruturas dedicadas à atração de capital, propostas territoriais diferenciadas e capacidade de diálogo direto com investidores.
Portugal possui ativos valiosos, como talento qualificado, estabilidade política e uma localização estratégica, além de uma crescente ligação ao investimento brasileiro e norte-americano. Para aproveitar essas oportunidades, é essencial que os territórios deixem de ser meros receptores passivos e se tornem promotores ativos. A captação de investimento direto estrangeiro é, hoje, uma responsabilidade que também recai sobre as autarquias.
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Fonte: Sapo





