O futuro do estreito de Ormuz após o cessar-fogo

O estreito de Ormuz, localizado no Golfo Pérsico, ganhou notoriedade mundial devido à sua importância estratégica para o transporte de petróleo e gás. Antes do início do conflito no final de fevereiro, cerca de 20% do petróleo e gás consumido globalmente transitava diariamente por esta via marítima. Contudo, a guerra levou o Irão a fechar o estreito, resultando numa crise energética que afetou diversos países.

Com o cessar-fogo agora em vigor, surgem questões sobre o que poderá acontecer no estreito de Ormuz. Durante períodos de paz, aproximadamente 135 navios transitavam diariamente por esta rota vital. Desde o início da guerra, cerca de 800 embarcações e 20 mil marinheiros ficaram retidos no Golfo Pérsico, incluindo 426 petroleiros e 238 graneleiros.

Um consórcio de 15 países está a preparar-se para realizar escoltas de navios no estreito de Ormuz, mas a operação só avançará quando as condições de segurança o permitirem. Entre os países envolvidos está a França, que, segundo o presidente Emmanuel Macron, assegurou que a operação será “unicamente defensiva”.

O plano de cessar-fogo permitirá ao Irão e a Omã cobrar portagens aos navios que atravessarem o estreito. Os fundos arrecadados pelo Irão serão destinados à reconstrução do país, conforme reportado pela “Associated Press”. Donald Trump, ex-presidente dos EUA, afirmou que o seu país irá apoiar a normalização do tráfego no estreito de Ormuz, enfatizando a necessidade de uma “reabertura completa imediata e segura”.

A Ásia é o principal destino do petróleo e gás provenientes do Golfo Pérsico, com a China a liderar as importações. Japão e Coreia do Sul também dependem fortemente desta região, com 95% e 70% das suas importações energéticas a provirem do Golfo. A Europa, por outro lado, representa apenas 10% das exportações.

Diariamente, 20 milhões de barris de petróleo e combustíveis transitavam pelo estreito, escoando a produção de grandes produtores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar e Iraque. O Iraque já informou que os negociadores e refinadores podem começar a recolher carga após a reabertura do estreito, uma vez que a carga iraquiana está “isenta de quaisquer potenciais restrições”.

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Após o anúncio do cessar-fogo, os preços do petróleo caíram 15%, fixando-se em 93 dólares nos mercados internacionais, enquanto o gás desceu mais de 17%, atingindo 44 euros/MWh, o nível mais baixo em cinco semanas. Michael Pregent, ex-responsável de inteligência do Governo dos EUA, comentou que, embora o mercado esteja a reagir positivamente, é fundamental observar como o regime iraniano irá controlar o tráfego.

Jennifer Parker, professora na Universidade da Western Australia, alertou que os fluxos marítimos globais não se restabelecem de um dia para o outro. Armadores, seguradores e tripulações precisam de ter confiança de que o risco foi realmente reduzido. A consultora Geopolitics of Natural Gas expressou incertezas sobre a sustentabilidade do cessar-fogo, afirmando que, apesar de um alívio temporário, os riscos de disrupções a longo prazo permanecem elevados.

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estreito de Ormuz Nota: análise relacionada com estreito de Ormuz.

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Fonte: Sapo

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