A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, fez um aviso importante sobre os impactos económicos da guerra no Médio Oriente. A sua declaração ocorreu antes das Reuniões da Primavera do FMI, que se realizam na próxima semana em Washington. Georgieva sublinhou que a economia mundial, que já demonstrava resiliência, está a ser novamente testada por este conflito.
“Uma economia mundial resiliente está a ser testada de novo pela guerra, agora em pausa, no Médio Oriente”, afirmou Georgieva. A responsável do FMI recomendou que os bancos centrais mantenham a sua atenção na estabilidade dos preços e que os governos evitem adotar medidas que possam agravar a situação económica global.
O conflito no Médio Oriente resultou num choque significativo, com a produção diária de petróleo a ser reduzida em cerca de 13% e o fluxo de gás natural liquefeito (GNL) a cair em 20%. Este impacto é global, uma vez que todos os países estão a sentir o aumento dos preços da energia e as perturbações nas cadeias de abastecimento. Além disso, o impacto é assimétrico, variando consoante a proximidade ao conflito e a condição de exportador ou importador de energia.
Georgieva também destacou que o preço do petróleo Brent subiu de 72 dólares por barril, antes do início das hostilidades, para um pico de 120 dólares. O complexo de Ras Laffan, no Qatar, que representa 93% do GNL do Golfo, foi severamente afetado e pode levar entre três a cinco anos para recuperar a sua plena capacidade.
Face a este cenário, a diretora-geral do FMI sugeriu que os bancos centrais adotem uma abordagem de “esperar e observar”, mas sem comprometer o seu compromisso com a estabilidade dos preços. Caso as expectativas de inflação se tornem preocupantes, Georgieva enfatizou que os bancos centrais devem agir rapidamente, aumentando as taxas de juro, mesmo que isso possa desacelerar o crescimento económico.
No que diz respeito à política orçamental, a responsável do FMI defendeu a necessidade de contenção e responsabilidade. “Todos os países devem mobilizar os seus recursos orçamentais de forma responsável e a maioria deve agir decisivamente para reconstruir espaço após este choque”, afirmou. Georgieva apelou ainda a que os países evitem ações isoladas, como controlos de exportações e preços, que podem agravar ainda mais as condições globais.
A dívida pública, segundo Georgieva, está em níveis mais elevados do que há 20 anos, especialmente entre os países do G20. O aumento dos pagamentos de juros em relação às receitas é uma preocupação crescente. A diretora do FMI advertiu que adicionar estímulos financiados por défice neste momento poderia aumentar a pressão sobre a política monetária.
Por fim, Georgieva reiterou a importância de políticas nacionais sólidas como a melhor defesa contra choques económicos. “A força e a agilidade dos fundamentos económicos são cruciais”, concluiu. O FMI publicará, na próxima semana, as Perspetivas da Economia Mundial, que incluirão diferentes cenários para o futuro económico global.
Leia também: FMI alerta para riscos de insegurança alimentar.
bancos centrais bancos centrais Nota: análise relacionada com bancos centrais.
Leia também: Empresas em Portugal falham 42% das metas de crescimento em 2025
Fonte: ECO





