Discurso sobre Justiça e Moralidade na Sociedade Atual

Imaginemos uma sala repleta de magistrados, governantes, jornalistas e cidadãos comuns. O ambiente é sério e a expectativa é palpável. Seria este o início de um novo ano judicial? E se tivéssemos a oportunidade de ouvir o conselheiro Rodrigues de Bastos, um magistrado e advogado do século XIX, partilhar os seus pensamentos sobre a justiça?

O silêncio na sala é profundo.

“Excelentíssimos Senhores e Senhoras,

Começo por recordar algo que todos sabem, mas poucos admitem: a justiça agrada a todos, mas ninguém a quer em casa. Este não é um problema exclusivo nosso. A justiça e a verdade são conceitos que variam consoante a localidade. O que é considerado falso ou injusto na Europa pode não ter a mesma interpretação na África ou em qualquer outra parte do mundo. Não se deve transigir com a justiça, assim como não se deve transigir com a verdade. Quando se começa a fazer o mal de forma parcial, acaba-se por fazê-lo de forma total.

Os conceitos de justiça estão em constante mudança. Acredito que existem duas formas de justiça: a preventiva e a repressiva, ambas essenciais para a manutenção da ordem social. Contudo, se a justiça não é acompanhada de força, torna-se impotente; e se a força não é acompanhada de justiça, transforma-se em tirania. Uma justiça extrema, acreditem, é uma grave injúria.

Aos que governam o mundo, diria: “Quando a justiça preside a quem manda, reina a boa vontade em quem obedece.” A soberania que perdura é aquela que se funda na justiça. É importante lembrar que não se pode contar com a justiça de quem não possui um espírito justo. Uma alma nobre faz justiça mesmo àqueles que lha negam. Quando a justiça não é acompanhada de doçura, desonra-se a própria justiça.

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Nos meus tempos, valorizávamos outros princípios. Deus era visto como o juiz supremo, e o justo era a imagem de Deus na Terra. No entanto, a chamada “justiça humana” poderia levar à desesperação de muitos homens de bem, se não fosse a esperança de uma justiça eterna e incorruptível. É arriscado tentar unir uma justiça aparente à verdadeira justiça. A justiça pavimenta o caminho da inocência, enquanto a iniquidade o torna escorregadio e perigoso.

Os golpes de estado, como sabemos, ferem frequentemente a justiça. As boas intenções, por si só, não são suficientes. Há tentações: aqueles que ouvem quem quer comprar a justiça estão próximos de a vender. Existem divergências: todos concordam com os princípios da justiça, mas muitos diferem na sua aplicação. A desigualdade é evidente: as pessoas desejam para si a justiça que recompensa, mas para os outros, a que castiga. O amor à justiça, muitas vezes, é apenas o medo de sofrer a injustiça.

E, no entanto, tudo isto parece vir de fora, como uma imposição. Pergunto-vos: quem somos nós no meio disto? Quem pode afirmar que é justo? A verdade é que todas as virtudes estão compreendidas na justiça. Serão homens e mulheres de bem aqueles que forem justos. Ninguém pode ser verdadeiramente bom sem ser justo; a bondade não exclui, mas integra a justiça. A verdadeira força e liberdade só existem onde há justiça.

Quem é, então, o homem justo? E a mulher justa?

Comecemos pelas diferenças. O mau será detestado, enquanto o justo será respeitado. A vida é o salário do justo; a perdição, do ímpio. A boca do justo é uma fonte de vida; a do injusto, um reservatório de iniquidade. As tribulações dos justos são preferíveis aos prazeres dos malvados. O justo vive em paz, enquanto o injusto está sempre em agitação. Por tudo isto, o último dia do justo é um dia de paz; o do ímpio, um dia de perturbação e ruína.

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Meus senhores e minhas senhoras,

Há homens que são sensíveis e, por isso, têm fraqueza no coração; mas são justos e, por isso, têm força no espírito. Sede justos, se quereis que se vos faça justiça. Contudo, não sejais justos em excesso, nem mais sábios do que convém. Lembrem-se de que o que é verdadeiramente grande é o que é durável, e o que é durável é apenas o que é justo.

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Fonte: Doutor Finanças

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