O impasse sobre a navegação no Estreito de Ormuz, um dos pontos mais críticos para o comércio global, continua sem solução. Apesar das tréguas anunciadas na guerra com o Irão, Teerão insiste na implementação de uma taxa sobre a passagem de navios, o que tem gerado forte oposição da comunidade internacional. A situação levanta questões sobre as repercussões que esta medida poderá ter em outros estreitos, como o Bab El-Mandeb.
O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é responsável por cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Desde o início da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel, em fevereiro, o Irão tem reagido com bloqueios que tornam a passagem praticamente intransitável. Embora um acordo de cessar-fogo tenha sido alcançado, a esperança de normalização foi rapidamente frustrada por novos ataques na região.
Teerão revelou um plano que inclui um “protocolo de segurança” para garantir o controle da passagem, propondo que as companhias de transporte marítimo paguem a taxa em criptomoedas. Segundo o porta-voz da União dos Exportadores de Produtos Petrolíferos do Irão, Hamid Hosseini, a taxa seria de um dólar por barril de petróleo, enquanto navios vazios poderiam passar sem custos. Contudo, a implementação desta taxa gerou receios sobre a possibilidade de um aumento nos preços da energia a nível global.
O economista Guntram B. Wolff argumenta que, embora a taxa possa não afetar diretamente os consumidores globais, os Estados do Golfo que exportam petróleo seriam os mais impactados. Ele estima que os exportadores do Golfo absorveriam entre 80% e 95% da taxa, o que poderia resultar num custo anual significativo. A possibilidade de o Irão limitar o número de navios que podem passar pelo estreito para 15 por dia levanta ainda mais preocupações sobre o abastecimento energético.
A comunidade internacional, incluindo líderes europeus, tem-se manifestado contra a imposição de taxas no Estreito de Ormuz, considerando que tal medida violaria o direito internacional. A Comissão Europeia reforçou que a liberdade de navegação deve ser garantida em todos os momentos, sublinhando que o estreito é um bem público.
A situação é ainda mais complexa, uma vez que nem o Irão nem os Estados Unidos ratificaram a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que garante a passagem em trânsito. A proposta do Irão de cobrar taxas de passagem poderá criar um precedente perigoso, levando outros regimes a adotar medidas semelhantes em pontos de estrangulamento estratégicos.
Os desenvolvimentos em Ormuz não afetam apenas o comércio de petróleo, mas também levantam questões sobre a segurança e a estabilidade na região. A comunidade internacional continua a acompanhar de perto a situação, na esperança de que uma solução pacífica possa ser alcançada.
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Estreito de Ormuz Estreito de Ormuz Nota: análise relacionada com Estreito de Ormuz.
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Fonte: ECO





