A EDP está a posicionar-se como um dos principais utilizadores de inteligência artificial (IA) no setor da energia, numa fase em que a tecnologia já se encontra em aplicação a grande escala. Nelson Pinho, responsável global pela área digital e de IA da empresa, revelou que a EDP conta com mais de 500 agentes de IA em funcionamento, embora admita que ainda falta a “confiança necessária” para lhes conceder total autonomia.
A introdução do Copilot da Microsoft na EDP tem sido um sucesso, com uma taxa de adoção interna a rondar os 70%. Pinho sublinha que a aposta em inteligência artificial não é apenas uma questão tecnológica, mas uma estratégia fundamental para acelerar a transição energética e aumentar a eficiência num setor cada vez mais dependente de dados.
A EDP tem integrado a inteligência artificial em toda a sua cadeia de valor, desde a produção até à distribuição, passando pelo trading e pelo atendimento ao cliente. As aplicações variam desde a manutenção preditiva de equipamentos até à automatização de processos no apoio ao cliente. Neste momento, a estratégia da EDP foca-se em equilibrar inovação com uma boa governação e formação interna, priorizando a criação de valor mensurável.
Pinho destaca que a EDP se posiciona como líder na adoção de inteligência artificial no setor energético a nível global. A empresa vê a tecnologia como um meio para acelerar a transição energética e criar valor. A estratégia abrange várias áreas do negócio, desde a geração até ao consumo, e inclui soluções transformadoras que têm demonstrado resultados significativos.
Um exemplo é o “OEM Copilot”, que ajuda a diagnosticar avarias em equipamentos, permitindo uma resposta rápida e eficaz. Além disso, a EDP já tem mais de 500 operadores de contact center a utilizar inteligência artificial para melhorar a experiência do cliente, garantindo respostas mais rápidas e precisas.
Apesar dos avanços, a EDP ainda enfrenta desafios na implementação de agentes autónomos. Pinho explica que, embora a empresa tenha feito progressos significativos, a confiança na autonomia desses agentes ainda não é suficiente para a sua utilização plena. A EDP está a testar agentes com autonomia em ambiente de laboratório, mas a supervisão humana continua a ser necessária.
A confiança é vista como uma oportunidade de melhoria. A EDP tem investido na formação dos seus colaboradores, com mais de 21 mil inscrições em cursos relacionados com inteligência artificial. A empresa também se compromete a cumprir todas as regulamentações de IA, o que é fundamental para garantir a segurança e a eficácia dos seus sistemas.
A EDP investe em inteligência artificial de forma alinhada com o mercado, que atualmente destina cerca de 1,7% do seu faturamento a esta área. No entanto, Pinho destaca que o foco e a disciplina nos investimentos são mais importantes do que o volume.
A empresa tem uma metodologia rigorosa para medir os resultados dos seus projetos de inteligência artificial, com um foco constante na criação de valor e na escalabilidade das oportunidades. A obsessão da EDP não é apenas pelos retornos, mas pela capacidade de desenvolver soluções que realmente impactem o negócio.
Leia também: O futuro da energia renovável em Portugal.
Leia também: Ajustes no Retalho: A Indústria Enfrenta Desafios e Oportunidades
Fonte: ECO





