A presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP), Nazaré da Costa Cabral, expressou hoje a sua indignação em relação às declarações do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento. Segundo Nazaré, as afirmações proferidas pelo ministro não foram justas nem corretas, chegando a ser ofensivas. A responsável sublinhou que o CFP não se dedica a fazer projeções políticas, mas sim a realizar um trabalho técnico sério e rigoroso.
Durante uma conferência de imprensa onde foram apresentadas as previsões económicas, Nazaré da Costa Cabral reafirmou que a instituição que lidera se pauta pela objetividade e pela seriedade. “Estamos no CFP há sete anos e nunca interferimos nos resultados das projeções nem no trabalho técnico da equipa”, afirmou, defendendo a integridade e a credibilidade do Conselho das Finanças Públicas.
As críticas do ministro surgiram durante uma audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, onde destacou as discrepâncias entre as previsões do CFP e os resultados finais para o saldo orçamental de 2025. Joaquim Miranda Sarmento referiu que as críticas ao aumento da despesa líquida primária começaram a ser mais frequentes desde que a AD assumiu o governo.
Nazaré da Costa Cabral não hesitou em refutar as afirmações do ministro, considerando-as injustas. A presidente do CFP enfatizou que a revisão das previsões, que manteve a expectativa de saldo nulo, foi realizada na véspera da divulgação das contas nacionais pelo INE, que também revisou o PIB nominal. “Essas afirmações não foram justas e foram até ofensivas em relação à minha pessoa”, declarou.
A responsável do CFP destacou ainda que a instituição sempre se esforça por esclarecer que as suas projeções são baseadas em políticas invariantes. A divergência nas previsões, segundo Nazaré, deve-se principalmente ao comportamento da receita fiscal, especialmente no que diz respeito ao IVA. Ela lembrou que o próprio ministro das Finanças apresentou uma estimativa de excedente de 0,3% em outubro, após a revisão do INE, utilizando dados mais detalhados sobre a receita fiscal.
“Sempre acreditei que o ministro das Finanças respeita a independência do CFP e quero continuar a acreditar”, disse Nazaré, referindo-se ao momento sensível que a instituição atravessa, com a mudança de liderança ao fim do seu mandato. A presidente do CFP sublinhou que a instituição está sempre sob escrutínio, com um elevado nível de exposição, e que uma transição de liderança requer tranquilidade institucional. “Não podem existir tentativas de pôr em causa a credibilidade de uma instituição como esta”, concluiu.
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Fonte: Sapo





