Metalomecânica alerta: Bruxelas pode desindustrializar setor

A metalomecânica portuguesa está em alerta. A Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) expressou preocupações sobre um novo acordo provisório anunciado por Bruxelas, que, segundo a associação, pode levar à desindustrialização do setor. A diretora-geral da AIMMAP, Mafalda Gramaxo, sublinha que o instrumento, inicialmente destinado a estabilizar o mercado, tornou-se um entrave ao funcionamento das cadeias de valor.

Gramaxo afirma que um regulamento que aumenta custos e limita o acesso a matérias-primas enfraquece a autonomia industrial da Europa. Para ela, a proteção das matérias-primas sem a proteção dos produtos a jusante pode resultar numa estratégia de desindustrialização. O aço, uma matéria-prima essencial para a metalomecânica, é um dos principais focos de preocupação. A indústria metalomecânica depende do aço para a produção de bens com valor acrescentado, e qualquer limitação no acesso a este material repercute-se diretamente na capacidade de produção e inovação.

Os números refletem a disparidade entre a siderurgia e a metalomecânica. A siderurgia representa apenas cerca de 5% da indústria metalúrgica na Europa, enquanto a metalomecânica emprega cerca de 13 milhões de pessoas. A AIMMAP tem apelado à revisão urgente das medidas de salvaguarda do aço, que, segundo a associação, penalizam desproporcionalmente os setores a jusante.

A Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Electromecânicas (ANEME) também expressou preocupação com o impacto do novo enquadramento, alertando para um efeito cumulativo num setor já pressionado. O acordo europeu prevê uma redução significativa das quotas de importação de aço e um agravamento das taxas aplicadas quando esses limites são ultrapassados. Para os industriais portugueses, esta solução pode agravar as distorções no mercado.

Além disso, as novas regras de origem, como o princípio “melt and pour”, que define a origem do aço com base no local de fundição, adicionam complexidade ao sistema. As quotas e sobretaxas são vistas como fatores de volatilidade de preços, colocando os produtores europeus em desvantagem face a concorrentes internacionais.

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A AIMMAP alerta ainda para sinais de deslocalização industrial, uma tendência que pode intensificar-se com o novo acordo. Apesar das críticas, a associação reconhece um aspecto positivo: a possibilidade de transferir quotas não utilizadas entre trimestres durante o primeiro ano. No entanto, o impacto dessa medida será limitado.

Num momento em que Bruxelas reforça o discurso sobre reindustrialização, os representantes do setor pedem maior coerência nas políticas. Para a metalomecânica, que emprega cerca de 250 mil pessoas em Portugal, o risco é que as medidas destinadas a proteger a base industrial acabem por fragilizar os setores que mais contribuem para o valor acrescentado e para as exportações.

O novo acordo da União Europeia visa reforçar a proteção da indústria siderúrgica face ao excesso de produção global, introduzindo limites mais apertados às importações. Este regulamento, que deverá entrar em vigor a 1 de julho de 2026, procura travar a entrada de aço barato na Europa e proteger a indústria do aço da sobrecapacidade mundial.

Leia também: O impacto das novas regras na indústria europeia.

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Fonte: Sapo

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