Um recente estudo da Adecco Portugal, em colaboração com o Instituto de Informação em Recursos Humanos, revela que as empresas portuguesas têm uma avaliação positiva da sua produtividade, mas enfrentam desafios significativos na sua estruturação e na integração tecnológica. Este cenário pode comprometer a sustentabilidade das organizações a médio prazo.
As empresas atribuem uma média de 6,77 valores à sua produtividade, numa escala de zero a dez, e 6,82 à capacidade de adaptação das suas estruturas internas às exigências do mercado. No entanto, o relatório destaca lacunas que limitam a consolidação destes resultados. Um dos pontos fracos identificados é a gestão do conhecimento: quase 48% das empresas inquiridas não têm programas estruturados para a partilha interna de conhecimento. Apenas 12% afirmam ter modelos organizados com responsáveis dedicados a essa função. A falta de documentação formal é também preocupante, com apenas 19% a possuir manuais de procedimentos para funções críticas, o que demonstra uma dependência excessiva do conhecimento individual.
No que diz respeito à tecnologia, o estudo indica um desfasamento entre a intenção estratégica e a execução prática. Embora 73% das empresas considerem a tecnologia uma prioridade para aumentar a produtividade, 66% admitem não ter programas específicos para integrar inteligência artificial. Este hiato sugere que, apesar da consciencialização, a implementação ainda não corresponde às expectativas.
Outro ponto crítico é a medição de desempenho. Apenas 12% das empresas têm indicadores de desempenho (KPI’s) automáticos integrados nos seus processos, o que limita a monitorização em tempo real e a tomada de decisões informadas. O estudo sugere que reforçar esta dimensão é crucial para melhorar a eficiência operacional e a capacidade de antecipação.
A gestão do absentismo também revela práticas pouco estruturadas. A maioria das empresas (72%) utiliza medidas pontuais, enquanto mais de 54% não avaliam o impacto do absentismo como um custo direto ou indireto. Em períodos de maior carga de trabalho, 56% continuam a depender de horas extraordinárias, evidenciando uma abordagem reativa.
Sérgio Duarte, National Outsourcing Director da Adecco Portugal, destaca que o principal desafio é transformar a reatividade em planeamento estratégico. “O retrato que este estudo nos deixa é o de organizações que reconhecem a importância da produtividade, mas que agora enfrentam o desafio de a sustentar através de modelos mais estruturados. Melhorar o desempenho não se resume a mais tecnologia, mas sim à criação de condições, processos e modelos de medição que permitam às equipas responder com maior consistência às exigências do negócio”, afirma.
O estudo baseou-se em 273 respostas de gestores e quadros intermédios de diversos setores. A maioria dos participantes está sediada em Lisboa (cerca de 64%), 68% são mulheres e 42% têm entre 45 e 54 anos, refletindo uma amostra predominantemente sénior e com responsabilidades de decisão. Aproximadamente 30% pertencem a empresas com 51 a 250 colaboradores e 44% trabalham em organizações com presença internacional.
Em suma, as empresas em Portugal estão cientes da importância da produtividade, mas ainda se encontram numa fase de transição para modelos mais estruturados, digitais e orientados por dados. Leia também: A importância da tecnologia na eficiência empresarial.
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Fonte: Sapo





