Laboratórios colaborativos: solução para o vale da morte da inovação

Entre uma ideia inovadora e a sua concretização no mercado existe um desafio significativo conhecido como “vale da morte”. Este termo refere-se ao elevado índice de falhas que ocorre entre a fase de concepção de uma ideia e a sua transformação em produto. Estima-se que entre 70% a 90% das ideias não conseguem ultrapassar esta fase crítica, não por falta de mérito, mas pela ausência de estruturas de apoio adequadas, tanto a nível material como financeiro.

A realidade é alarmante: de cada 100 ideias promissoras, apenas 10 a 30 conseguem avançar para a fase de protótipo, e dessas, apenas cinco a 10 chegam efetivamente ao mercado. Uma fração ainda menor, cerca de 1%, é considerada economicamente viável. No universo das startups, a situação é igualmente preocupante, com mais de 25% a não sobreviver ao primeiro ano de atividade.

O “vale da morte” é uma metáfora poderosa que ilustra os desafios do ecossistema de inovação. Popularizado pela National Science Foundation nos anos 80, o conceito ganhou destaque nas duas últimas décadas, especialmente no contexto das startups. Este fenómeno aplica-se a três áreas principais: inovação científica, startups e grandes empresas.

As razões para o insucesso neste “vale” são variadas, mas incluem a falta de capital para desenvolver demonstrações e certificações, a ausência de validação de mercado e a burocracia que atrasa processos. No campo da inovação científica, o vale da morte surge entre os níveis TRL 4 e 6, onde muitas inovações falham em transitar do laboratório para a indústria.

Em Portugal, este problema é particularmente agudo. Embora existam programas robustos de apoio à investigação e às startups nas fases iniciais, persiste um vazio crítico: tecnologias que, após validação em laboratório, não conseguem avançar devido à falta de investimento para testes industriais e certificações. Este fenómeno é especialmente evidente nas áreas de deep tech, onde os investimentos necessários são elevados e os retornos a curto prazo menos atrativos.

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É neste contexto que os laboratórios colaborativos, ou CoLABs, se apresentam como uma solução viável. Não se tratam de soluções milagrosas, mas sim de uma resposta estruturada que promove a partilha de riscos, custos e conhecimentos. A complexidade da tecnologia moderna e a rapidez do mercado exigem uma abordagem colaborativa.

Através da inteligência coletiva, é possível mitigar riscos e partilhar custos, combinando competências e acelerando ciclos de aprendizagem. Quando empresas, centros de investigação e instituições académicas trabalham em rede, a travessia do vale da morte transforma-se num esforço conjunto, em vez de uma luta solitária.

Todos os dias surgem ideias com potencial para revolucionar o mercado. O vale da morte não é um obstáculo intransponível, mas a sua superação requer uma coordenação eficaz. Em termos económicos, essa coordenação é sinónimo de colaboração, que é precisamente a missão central dos laboratórios colaborativos em Portugal.

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Fonte: ECO

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