Uma década após o referendo que levou à saída do Reino Unido da União Europeia, a opinião pública britânica parece estar a mudar. De acordo com um estudo da organização Best for Britain, mais de 53% dos eleitores britânicos agora apoiam um eventual regresso à UE. Este apoio é particularmente forte entre os votantes de partidos de centro-esquerda, como os Trabalhistas, os Liberais-Democratas e os Verdes, onde a adesão ultrapassa os 80%.
Mesmo entre os eleitores conservadores, quase 40% consideram a possibilidade de um regresso à UE. Apesar desta mudança de atitude, a estratégia do governo liderado por Keir Starmer, que se foca em fortalecer as relações com Bruxelas sem uma reentrada formal no mercado único ou na união aduaneira, continua a ter apoio, embora não muito entusiástico. Apenas uma minoria dos inquiridos expressa um apoio “forte” à abordagem atual.
Especialistas alertam para os riscos políticos desta posição intermédia. A tentativa de evitar divisões internas e eleitorais pode acabar por afastar tanto os eleitores mais pró-europeus quanto os segmentos mais conservadores, especialmente nas regiões conhecidas como “red wall”. O debate sobre o regresso à UE torna-se ainda mais complicado quando se consideram alternativas como a adesão ao mercado único ou à união aduaneira, que exigiriam cedências significativas em termos de soberania regulatória.
Além disso, vozes influentes no panorama político britânico começam a reconhecer que a discussão sobre um eventual regresso à UE pode tornar-se inevitável. Antigos responsáveis e analistas apontam para o impacto económico negativo do Brexit e para as limitações de uma estratégia que obriga o Reino Unido a alinhar-se com regras europeias sem ter a capacidade de influenciá-las.
Neste contexto de mudanças graduais na opinião pública, a questão europeia parece estar a regressar ao centro do debate político no Reino Unido. Agora, a discussão não gira apenas em torno da saída, mas também da possibilidade de um regresso à UE. Leia também: O impacto económico do Brexit nas relações comerciais.
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Fonte: Sapo





