Norte e Centro de Portugal precisam de novas ZILS para crescer

Portugal e a Europa enfrentam desafios significativos em termos de competitividade, especialmente no setor industrial. Concorrer com a escala de potências como a China, Índia e Coreia do Sul é uma tarefa complicada. A competitividade das empresas depende de diversos fatores, incluindo a localização física, a qualidade das infraestruturas, a disponibilidade de mão-de-obra e a integração nas cadeias logísticas. A atração de investimento direto estrangeiro é uma questão central neste contexto.

As áreas de localização empresarial desempenham um papel crucial no sucesso das empresas e na promoção de Portugal como um destino atrativo para investidores. Para melhorar a perceção sobre as soluções de localização empresarial disponíveis, têm sido implementadas políticas públicas que visam qualificar e promover espaços adequados às necessidades dos investidores. Um exemplo é o programa Norte 2030, que está a apoiar a criação e requalificação de áreas de acolhimento empresarial.

Apesar dos esforços, o ordenamento do acolhimento empresarial em Portugal ainda é frágil e carece de escala para grandes projetos industriais, com a exceção da Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS). Esta zona, gerida pela AICEP Global Parques, é estrategicamente posicionada junto ao Porto de Sines, o único porto nacional de águas profundas, e já alberga algumas das maiores empresas do país e do estrangeiro. Com uma área infraestruturada de cerca de 2.375 hectares e uma área de expansão de mais de 4.000 hectares, a ZILS é um exemplo de sucesso que poderia ser replicado noutras regiões.

Atualmente, a EY-Parthenon está a desenvolver um estudo sobre o impacto económico e social do Complexo Portuário e Industrial de Sines, que deverá evidenciar a importância desta infraestrutura. Estima-se que, nos próximos anos, cerca de 20 mil milhões de euros sejam investidos em Sines, abrangendo setores como energia, indústria e centros de dados.

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Replicar uma ZILS no Norte e Centro de Portugal poderia ter um impacto significativo, dado o histórico industrial dessas regiões. A política industrial deve, portanto, estimular a criação de novas ZILS modernas e atrativas, elevando a competitividade do país a um novo nível. A personalização dos programas de apoio, como o COMPETE 2030 e o Centro 2030, deve ser uma prioridade nacional e regional, sob pena de perdermos a próxima geração da economia.

A história industrial do Norte e Centro de Portugal não é apenas uma recordação, mas sim um ativo estratégico. Estas regiões contribuíram para a construção do país através da indústria e inovação. Diante da concorrência global, é necessário que o poder político tome decisões claras e mensuráveis para alinhar programas, financiamento e licenciamento, criando ZILS de escala que captem e fidelizem investimentos estruturantes.

Sem ambição e execução, corremos o risco de transformar a nossa história em mera memória, vendo a próxima geração de talento e capital a emigrar para regiões que tenham a coragem de agir. Este é um teste de liderança: o Estado e os territórios devem transformar a tradição em vantagem competitiva ou abdicar do crescimento económico nas próximas décadas.

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Fonte: ECO

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