Em 2025, as energias renováveis conseguiram superar a crescente procura global de eletricidade, um feito impulsionado principalmente pelo crescimento da energia solar, especialmente na China e na Índia. Segundo um relatório do grupo de reflexão Ember, a produção de eletricidade limpa aumentou em 887 terawatts-hora, enquanto a procura mundial cresceu apenas 849 terawatts-hora.
Este estudo analisou dados de eletricidade de 215 países e focou-se em 91 deles, que representam 93% da procura global. A quota das energias renováveis, que inclui solar, eólica, hídrica e outras fontes limpas, atingiu pela primeira vez um terço da produção elétrica mundial, totalizando 33,8% e 10.730 terawatts-hora.
Os dados são particularmente encorajadores num contexto de agravamento das alterações climáticas, exacerbadas pela utilização de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, e numa fase em que a crise energética global é intensificada por conflitos, como a guerra dos Estados Unidos no Irão. Notavelmente, a participação do carvão na produção elétrica global caiu pela primeira vez abaixo de um terço, recuando 0,6%, ou 63 terawatts-hora.
Nicolas Fulghum, analista de dados da Ember, comentou que estamos a transitar de um período em que o aumento da procura de eletricidade exigia um correspondente aumento na produção fóssil. “Estamos agora a entrar num mundo em que isso já não acontece”, afirmou. Ele destacou que, ao contrário de uma década atrás, as promessas governamentais sobre a expansão das energias renováveis são hoje mais credíveis.
A energia solar, que cresceu 30% em 2025, foi responsável por três quartos do aumento líquido da procura de eletricidade no ano passado. Juntamente com a energia eólica, estas fontes limpas cobriram 99% do crescimento. A Ember prevê que tanto a energia solar como a eólica superem a energia nuclear ainda este ano.
Além disso, a produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis praticamente estagnou, com uma diminuição de cerca de 0,2% em 2025, representando um dos raros anos neste século sem crescimento. O avanço da energia solar também foi acompanhado por uma redução significativa nos custos de armazenamento em baterias, que caiu 45% no último ano, permitindo um aumento de 46% na capacidade de armazenamento.
Fulghum sublinhou que, apesar do crescimento acelerado da procura devido à expansão de veículos elétricos e eletrificação industrial, a energia limpa está preparada para responder a este aumento nos próximos anos, prevendo uma diminuição gradual do uso de combustíveis fósseis.
Em termos regionais, 2025 foi um ano marcante, pois tanto a China como a Índia registaram quedas na produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis. Na China, a descida foi de 0,9% (56 terawatts-hora), enquanto na Índia a redução foi de 3,3% (também 56 terawatts-hora). Ambos os países estão a diversificar as suas fontes energéticas, colocando as renováveis no centro da transformação dos seus sistemas elétricos.
A China destacou-se como líder na produção de energia solar, contribuindo com mais de metade do crescimento mundial, enquanto a Índia também registou aumentos significativos na produção solar e eólica. Nos Estados Unidos e na Europa, foram adicionados 85 e 60 terawatts-hora de energia solar, respetivamente, enquanto a produção a partir de combustíveis fósseis teve ligeiros aumentos.
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energias renováveis Nota: análise relacionada com energias renováveis.
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Fonte: ECO





