A elevada carga fiscal em Portugal é considerada a principal razão para a emigração de jovens qualificados, segundo empresários que participaram numa sessão sobre a importância da diáspora para a internacionalização das empresas. Carlos Vinhas Pereira, presidente da Rede de Câmaras de Comércio Portuguesas no Mundo, destacou que, ao conversarem com emigrantes em França, a resposta sobre a razão da sua saída é quase sempre a mesma: a carga fiscal em Portugal.
O empresário exemplificou a situação em França, onde a fiscalidade é elevada, mas a sua distribuição é mais equitativa. Em Portugal, para um contribuinte pagar uma taxa de imposto de 44,6%, basta ter um rendimento anual superior a 80 mil euros. Em contrapartida, em França, essa taxa só se aplica a rendimentos acima de 210 mil euros. Esta diferença acentua a pressão sobre os cidadãos e as famílias em Portugal, especialmente aqueles com filhos.
Durante a sessão intitulada “Lusofonia: a diáspora como aceleradora da internacionalização”, que decorre em Lisboa, o economista Jaime Quesado também abordou a questão da carga fiscal. Ele afirmou que é amplamente reconhecido que Portugal tem uma das cargas fiscais mais elevadas da Europa, especialmente quando comparado com países como a Irlanda, que optou por uma taxa baixa para empresas, atraindo assim investimento e promovendo um crescimento económico mais inclusivo.
Quesado sublinhou que a carga fiscal elevada em Portugal afeta tanto as pessoas como as empresas, uma vez que o Estado tem de cobrir muitos custos. A insatisfação com os salários é um fator crítico que leva os jovens a repensar as suas opções. “Quando um jovem termina um curso exigente e se depara com um salário de 1.500 euros, é natural que considere outras oportunidades”, afirmou, referindo-se aos salários mais competitivos em países do norte da Europa.
De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a carga fiscal em 2025 aumentou 0,2 pontos percentuais, atingindo 35,4% do PIB. Este valor é o segundo mais elevado nos últimos 15 anos e reflete o esforço que cidadãos e empresas têm de fazer para cumprir com as suas obrigações fiscais e contribuições sociais.
A elevada carga fiscal em Portugal continua a ser um tema central nas discussões sobre a emigração de jovens qualificados. A insatisfação com o panorama fiscal e as oportunidades de emprego no país são fatores que, se não forem abordados, poderão continuar a impulsionar a saída de talentos.
Leia também: O impacto da emigração na economia portuguesa.
Leia também: Grupo Visabeira atinge 100 milhões de lucro em 2025
Fonte: ECO





