Os chokepoints são pontos críticos na geografia que têm um impacto significativo na economia mundial. Para ilustrar, imagine a Ponte 25 de Abril bloqueada durante uma hora de ponta. O resultado seria caótico, com trânsito parado e atrasos. Agora, amplie essa imagem para o contexto global: os chokepoints são como gargalos que afetam o comércio internacional, especialmente no que diz respeito ao petróleo.
Quando um desses pontos é bloqueado, as consequências são imediatas e sentidas em todo o mundo. Um conflito localizado pode desencadear aumentos nos preços, inflação e instabilidade económica. Neste momento, essa realidade não é apenas uma teoria, mas uma situação palpável.
O Estreito de Ormuz é um exemplo claro da importância dos chokepoints. Atualmente, em 2026, este estreito está no centro de uma nova crise energética. O tráfego marítimo por esta passagem diminuiu drasticamente, com quedas de até 70% no movimento de petroleiros. Centenas de embarcações estão paradas e milhares de tripulantes estão presos no Golfo. Como resultado, os preços do petróleo dispararam, afetando o comércio global.
Os chokepoints partilham características comuns: são estreitos, insubstituíveis e politicamente sensíveis. Os principais chokepoints incluem:
– Estreito de Ormuz: É o mais importante do mundo, ligando o Golfo Pérsico ao oceano aberto. Aproximadamente 20% do petróleo mundial passa por aqui, tornando-o crucial para países como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos. A tensão com o Irão tem um impacto direto no mercado global.
– Estreito de Malaca: Esta passagem é vital para a ligação entre o Oceano Índico e o Pacífico, sendo essencial para economias asiáticas como a China e o Japão. É um dos corredores mais movimentados do mundo.
– Canal de Suez e Oleoduto SUMED: Estas infraestruturas permitem encurtar a ligação entre a Europa e a Ásia, evitando a contorna de África. O bloqueio do canal, como já aconteceu, provoca repercussões imediatas no comércio global.
– Estreito de Bab el-Mandeb: Liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é fundamental para o fluxo entre Europa e Ásia. A instabilidade no Iémen torna esta rota especialmente sensível.
– Estreitos Dinamarqueses: Controlam o acesso ao Mar Báltico e são importantes para as exportações de petróleo da Rússia.
– Canal do Panamá: Embora menos crítico para o petróleo, é relevante para os fluxos comerciais entre as Américas e a Ásia.
Em suma, os chokepoints não são meros pontos no mapa; são verdadeiros pontos de pressão na economia global. O Estreito de Ormuz exemplifica esta realidade: num mundo que depende da energia, controlar estas passagens estreitas pode ser tão poderoso quanto controlar um país inteiro.
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Fonte: Doutor Finanças





