Inteligência Artificial nas empresas portuguesas: desafios e oportunidades

Desde janeiro de 2026, um grupo de trabalho sobre Inteligência Artificial (IA) e governance tem estado a desenvolver-se em Portugal, reunindo cerca de 20 membros fundadores de multinacionais, organizações profissionais e reguladores. Este grupo, do qual sou um dos líderes, tem como objetivo estudar e recolher casos de uso da IA em workflows complexos nas empresas. Após seis meses de trabalho, já se vislumbram avanços significativos, e é essencial destacar três pontos cruciais.

Primeiramente, é fundamental estabelecer estruturas adequadas para o governo da IA. A implementação desta tecnologia promete aumentar a eficiência das capacidades existentes nas empresas e criar novas oportunidades. Contudo, muitas organizações têm adotado uma abordagem fragmentada, onde a IA é utilizada de forma ad hoc por colaboradores curiosos. Esta falta de coordenação pode gerar riscos significativos, levando algumas empresas a suspender a criação de agentes de IA até que se desenvolvam estruturas e um quadro estratégico que assegurem um controlo eficaz. A IA já é uma prioridade nas agendas dos conselhos de administração, e os riscos associados estão a ser geridos por comités especializados. Por exemplo, os agentes de IA, uma vez autorizados, são registados num inventário, com monitorização regular e responsáveis designados.

Em segundo lugar, é crucial adotar uma abordagem estratégica e holística desde o início. Um erro comum é focar na automação de processos isolados sem considerar como a IA está a reconfigurar o sistema sociotécnico das organizações. É importante repensar a organização do trabalho para promover uma interação mais eficaz entre humanos e máquinas. Se a empresa não tiver especialistas em “desenho organizacional”, é aconselhável contratar profissionais que possam ajudar a moldar essa nova realidade.

Por último, é necessário desenvolver capacidades superiores de gestão da mudança. Se, em inquéritos de satisfação, a gestão da mudança for uma área com dificuldades, é um sinal de que a empresa deve focar-se em melhorar essas capacidades antes de avançar com a IA. Nesta fase inicial e acelerada da tecnologia, é vital fomentar ciclos de experimentação rápidos e controlados, permitindo que os colaboradores aprendam e melhorem continuamente. Muitas organizações já estão a formar os seus empregados em IA e a incentivá-los a apresentar casos de uso nas suas áreas, numa espécie de competição interna.

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O trabalho do grupo de IA avança rapidamente, e a verdade é que a IA tornou-se uma realidade inescapável. As organizações em Portugal precisam de ser ágeis na sua adaptação. Ao refletir sobre este tema, uma ideia torna-se evidente: a reforma laboral em Portugal não será apenas resultado de negociações, mas sim de um choque tecnológico que poderá ser mais profundo e doloroso se não estivermos preparados.

Leia também: A importância da formação em IA nas empresas.

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Fonte: Sapo

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