Os preços da energia estão prestes a sofrer um aumento significativo, com uma previsão de subida de 23,6% em 2026, segundo um relatório recente do Banco Mundial. Este aumento é atribuído à instabilidade provocada pela guerra no Médio Oriente, que tem impactado o mercado global.
O relatório intitulado “Perspetivas dos mercados de produtos básicos” indica que, embora a fase mais crítica das interrupções no abastecimento de energia deva terminar em maio, a recuperação total dos volumes de transporte marítimo através do estreito de Ormuz será gradual. Espera-se que esses volumes se estabilizem nos níveis anteriores ao conflito durante o último trimestre de 2026.
A previsão do Banco Mundial para os preços do petróleo é que o barril de Brent atinja uma média de 86 dólares em 2026, um aumento em relação aos 69 dólares de 2025. Esta expectativa baseia-se na recuperação das exportações de crude do Golfo Pérsico e na suposição de que os danos à infraestrutura petrolífera da região serão mínimos. Contudo, se a guerra se prolongar, os preços poderão ser ainda mais elevados, variando entre 95 e 115 dólares por barril.
Além do aumento nos preços da energia, o relatório também alerta para um aumento de 31% nos preços dos fertilizantes, com a ureia a registar uma subida de 60%. Esta situação poderá afetar a acessibilidade dos agricultores a esses produtos, resultando em rendimentos mais baixos e colocando em risco a produção agrícola. O Programa Alimentar Mundial estima que, caso o conflito se prolongue, até 45 milhões de pessoas poderão enfrentar insegurança alimentar aguda este ano.
Os preços dos metais básicos, como alumínio, cobre e estanho, também estão previstos para subir, com um aumento médio de 42%. Este crescimento é impulsionado pela forte procura em setores emergentes, como veículos elétricos e energias renováveis.
No geral, o Banco Mundial prevê um aumento de 15,5% no custo das commodities em 2026, embora a expectativa seja que os preços se moderem em 2027. A inflação média nas economias em desenvolvimento deverá atingir 5,1%, um aumento em relação aos 4,7% do ano anterior.
Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, sublinha que a guerra está a provocar um impacto cumulativo na economia global, começando pelo aumento dos preços da energia e culminando em uma inflação elevada que poderá encarecer ainda mais a dívida. As populações mais vulneráveis, que destinam a maior parte dos seus rendimentos a alimentos e combustíveis, serão as mais afetadas por esta situação.
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preços da energia preços da energia Nota: análise relacionada com preços da energia.
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Fonte: Sapo





