A CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses) anunciou uma greve geral marcada para o dia 3 de junho, em protesto contra a reforma da lei do trabalho proposta pelo Governo. O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, fez o apelo à “convergência de todas as estruturas dos trabalhadores” durante as comemorações do Dia do Trabalhador. Ao contrário da greve anterior, realizada em dezembro, a UGT (União Geral de Trabalhadores) não manifestou intenção de se juntar a esta mobilização.
Tiago Oliveira sublinhou a importância da greve geral, afirmando que é uma forma de expressar a indignação dos trabalhadores e a exigência de melhores condições de vida. “Vamos afirmar a poderosa força dos trabalhadores. Todos juntos, no próximo dia 3 de junho, realizaremos uma grande greve geral”, declarou o líder sindical. O apelo à união entre as várias estruturas sindicais é um dos pontos centrais da mensagem da CGTP.
O sindicalista criticou o Governo por não ter promovido um diálogo efetivo com a CGTP nos últimos nove meses, apesar das propostas apresentadas pela central sindical. “O Governo quer impor as propostas dos patrões. Nós dissemos ‘não’. Estão muito enganados”, afirmou Oliveira, referindo-se à reforma laboral como “um dos maiores ataques de sempre aos trabalhadores”. Para ele, a proposta do Governo representa um retrocesso nas conquistas laborais, destacando pontos como a normalização da precariedade e a redução das garantias após despedimentos.
Desde julho do ano passado, o Governo tem tentado negociar a reforma laboral, apresentando um anteprojeto com mais de 100 alterações ao Código do Trabalho. No entanto, a CGTP tem criticado duramente este documento desde o início, considerando que não atende às necessidades dos trabalhadores. O Governo, por sua vez, tem mostrado abertura ao diálogo, mas mantém as suas principais propostas.
Durante estes meses de negociações, a CGTP tem sido excluída das conversações, uma vez que o Governo considera que a central se autoexclui ao exigir a retirada total do pacote laboral. Em contrapartida, a UGT tem discutido as propostas do Governo, mas rejeitou-as em duas ocasiões, a última das quais a 23 de abril. A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, desafiou a UGT a apresentar uma “posição construtiva” nas negociações.
A última reunião da Concertação Social está agendada para 7 de maio, e até essa data, a UGT não deverá aderir à greve geral convocada pela CGTP. Contudo, o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, não descartou a possibilidade de recorrer a esta forma de luta após o encontro.
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greve geral Nota: análise relacionada com greve geral.
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Fonte: ECO





