Reabilitação urbana: motor de habitação acessível e economia

Nos centros urbanos de Portugal, muitos edifícios e bairros permanecem subaproveitados, frequentemente devido a entraves administrativos, falta de financiamento ou à ausência de uma estratégia integrada de valorização. A reabilitação urbana deve ser encarada não apenas como uma questão estética, mas como uma resposta concreta às necessidades habitacionais, uma forma de regenerar a economia e um motor para a atração de investimento sustentável.

Como profissional que acompanha diariamente processos de reabilitação, é evidente que a reabilitação urbana requer instrumentos públicos claros e ágeis, bem como a capacidade do setor privado para executar projetos em larga escala. É fundamental que existam modelos de financiamento que alinhem risco e impacto, permitindo que as cidades aproveitem a oportunidade de reabilitar o que já existe.

A agenda europeia está a evoluir na gestão de ativos não produtivos, criando mercados secundários mais líquidos e transparentes. Este cenário exige intervenientes profissionais e processos auditáveis que reintegrem ativos no circuito económico. Em Portugal, a reabilitação urbana beneficia de várias medidas e incentivos, como regimes fiscais específicos e programas de financiamento que visam reduzir os custos das obras em áreas de reabilitação, além de acelerar os processos de licenciamento.

Contudo, as medidas públicas por si só não são suficientes. É crucial mobilizar soluções de financiamento adaptadas à natureza específica da reabilitação urbana. Isso inclui projetos com risco técnico e cronogramas distintos dos novos edifícios, bem como a necessidade de capital para obras. A criação de plataformas de financiamento alternativo e de fundos dedicados ao real estate é uma tendência crescente. Estas estruturas canalizam capital institucional para projetos de reabilitação, muitas vezes em co-financiamento com bancos ou através de veículos que combinam dívida e capital próprio. Estas soluções não só ampliam a capacidade de execução, mas também permitem estruturar riscos de forma transparente e escalável.

Leia também  Paulo Raimundo critica promessas de habitação de Luís Montenegro

O panorama europeu dos non-performing loans (NPL) está a evoluir, com os níveis a descer desde a última crise. No entanto, muitos ativos só recuperarão plenamente com a intervenção de atores especializados capazes de reestruturar e valorizar portefólios. A presença de servicers que gerem todo o ciclo é essencial para transformar stock parado em habitação e oportunidades para as cidades. Os servicers desempenham um papel crucial em três dimensões: avaliação e agrupamento de ativos, execução de obras e gestão do processo de comercialização, e acesso a estruturas de financiamento que cubram a fase de obras até à monetização.

Além disso, a reabilitação urbana bem executada melhora a coesão social, cria emprego local, reduz a pressão sobre novas expansões urbanísticas e preserva a identidade das cidades. É uma resposta prática à escassez de oferta, especialmente para a classe média e para arrendamento qualificado.

As cidades portuguesas têm a oportunidade de recuperar património, criar habitação de qualidade e gerar valor económico e social de forma sustentável. Agora, cabe aos decisores, instituições financeiras e operadores especializados transformar essa convergência em projetos concretos e replicáveis.

Leia também: A importância da sustentabilidade na reabilitação urbana.

Leia também: Nova Lei da Nacionalidade aprovada, mas sem consenso desejado

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top