A Atmos Space Cargo, cofundada pela portuguesa Marta Oliveira, anunciou a captação de 27,5 milhões de euros para expandir as suas operações, incluindo uma nova unidade dedicada ao setor da defesa, denominada Atmos Works. Esta empresa, que já obteve a primeira licença comercial de reentrada e recuperação de um veículo orbital em espaço português, planeia lançar a missão Phoenix 2.1 no segundo semestre de 2026.
Marta Oliveira explica que esta ronda de financiamento visa transitar de uma fase de demonstração para operações regulares. “Queremos financiar uma pequena frota de cápsulas Phoenix 2, iniciar voos regulares e avançar no desenvolvimento do Phoenix 3”, afirma a cofundadora. O Phoenix 3 será uma cápsula de maior capacidade, permitindo o transporte de cargas mais pesadas.
A ronda de investimento foi liderada pela Balnord e Expansion, com a participação de várias entidades, incluindo a Keen e o European Innovation Council (EIC). Com este novo financiamento, o capital total levantado pela Atmos Space Cargo ultrapassa os 35 milhões de euros.
Com uma equipa de cerca de 80 colaboradores, a Atmos Space Cargo desenvolve a cápsula reutilizável Phoenix 2.1, que possibilita a realização de investigações em microgravidade e o teste de materiais em órbita. A nova unidade Atmos Works surge como uma resposta à crescente demanda por serviços no setor da defesa, focando-se em casos de uso dual, como o retorno seguro de hardware e dados sensíveis.
Em março, a Atmos Space Cargo obteve a primeira licença comercial para a reentrada de um veículo orbital no espaço português, especificamente ao largo da ilha de Santa Maria, nos Açores. Marta Oliveira justifica a escolha desta localização pela segurança que oferece, uma vez que a área está afastada de zonas densamente povoadas, permitindo uma aterragem segura no mar.
A empresa destaca ainda a sua intenção de contribuir para a autonomia espacial da Europa, que atualmente depende dos Estados Unidos para o retorno de veículos orbitais. “Este é um passo importante para a Atmos Space Cargo, para Portugal e para a Europa, que demonstra a vontade de desenvolver a capacidade de retorno de órbita”, afirma Marta Oliveira.
Com sete missões já contratualizadas, a Atmos Space Cargo tem como objetivo que o retorno da cápsula ocorra sempre nos Açores. A primeira licença obtida é específica para a Phoenix 2.1, mas a empresa pretende, com o sucesso das missões, obter uma licença envelope que permita a realização de várias missões semelhantes.
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Fonte: ECO





