Faleceu Carlos Brito, histórico dirigente do PCP

Carlos Brito, um dos mais emblemáticos dirigentes do Partido Comunista Português (PCP), faleceu esta quinta-feira, aos 93 anos, na sua residência em Alcoutim. A notícia foi confirmada por Paulo Fidalgo, médico e amigo pessoal, que revelou que Carlos esteve recentemente internado em Faro devido a uma infeção respiratória, mas recebeu alta na passada segunda-feira. A sua morte foi descrita como “inesperada”.

Natural de Moçambique, Carlos Brito nasceu em 1933 e dedicou quase cinco décadas à militância no PCP. Durante a sua carreira, ocupou diversos cargos, incluindo membro do Comité Central, líder parlamentar e diretor do jornal “Avante!”. A sua trajetória política foi marcada pela luta contra a ditadura, tendo passado dez anos na clandestinidade e oito anos preso.

Após a Revolução dos Cravos, Carlos Brito foi eleito para a Assembleia da República, onde se destacou durante 16 anos, sendo 15 deles como líder do grupo parlamentar do PCP. A sua saída do Parlamento, em 1991, foi um momento de desilusão, uma vez que não foi reeleito pelo círculo de Faro, onde tinha um longo histórico de serviço.

Carlos Brito também se destacou nas eleições presidenciais de 1980, onde se apresentou contra Ramalho Eanes e Soares Carneiro, mas desistiu à porta das urnas. Em 2000, após 33 anos no Comité Central, decidiu renunciar ao cargo, expressando preocupações sobre a direção do partido. A sua voz crítica foi ouvida durante a luta interna que opôs os “renovadores” aos defensores da ortodoxia do PCP, levando à sua suspensão em 2002.

Nos últimos anos, Carlos Brito afastou-se de cargos dirigentes, optando por se dedicar à escrita e ao movimento associativo, sempre com um olhar atento ao desenvolvimento regional. Era casado e pai de duas filhas, vivendo em Alcoutim, a terra de origem da sua família.

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António José Seguro, ex-líder do PS, homenageou Carlos Brito, descrevendo-o como uma “figura incontornável da resistência antifascista e da democracia portuguesa”. Seguro elogiou a coragem cívica de Brito e a sua dedicação à defesa da democracia, destacando que a sua memória ficará associada à dignidade com que serviu a causa pública.

Carlos Brito deixa um legado importante na história política de Portugal, sendo lembrado como uma das vozes mais íntegras da vida cívica e política do país. Leia também: a importância da resistência política em Portugal.

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Fonte: ECO

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