A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê um futuro marcado por anos de volatilidade nos mercados de petróleo e gás. O diretor executivo, Fatih Birol, alertou que a crise resultante do encerramento do estreito de Ormuz terá um impacto irreversível no mercado energético global. Durante uma conferência de imprensa em Viena, Birol destacou que esta situação poderá acelerar o desenvolvimento de transportes elétricos e da energia nuclear.
A crise, desencadeada pelo conflito entre os Estados Unidos e o Irão, resultou no bloqueio do estreito de Ormuz, uma rota crucial que representa cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente. As estimativas da AIE indicam uma perda significativa na oferta de crude, que atinge os 14 milhões de barris por dia, o que corresponde a aproximadamente 13,5% do consumo global previsto para este ano.
Apesar do cessar-fogo em vigor, Birol sublinhou que os danos já foram causados e que os mercados de petróleo e gás enfrentarão um período de instabilidade. “O dano já está feito”, afirmou, enfatizando que muitos países terão de implementar “respostas estratégicas” para reduzir a dependência de importações de regiões com elevado risco geopolítico. A prioridade deverá ser dada à produção interna, uma vez que a crise evidenciou a fragilidade das cadeias de abastecimento.
Birol fez uma comparação com a crise do petróleo de 1973, que levou a indústria automóvel a melhorar a eficiência dos combustíveis. Agora, espera-se um avanço semelhante na eficiência energética, assim como uma reconfiguração das rotas comerciais globais. Esta mudança poderá ter um impacto significativo nos mercados de petróleo e gás.
Além disso, o diretor da AIE expressou preocupação com a situação imediata na Europa, especialmente em relação à escassez de querosene, um combustível essencial para a aviação. Com a aproximação das férias de verão, a procura por este combustível tende a aumentar, enquanto a oferta poderá ser instável. “A procura vai aumentar e a oferta será instável”, alertou, lembrando que o consumo de combustível para aviação na Europa costuma ser 40% superior em agosto em comparação com março.
A instabilidade nos mercados de petróleo e gás poderá ter repercussões significativas na economia global, afetando não apenas os preços, mas também as políticas energéticas dos países. Leia também: O impacto da crise energética na economia global.
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Fonte: ECO





