O reembolso do IRS é uma oportunidade que muitos portugueses aproveitam para equilibrar as suas finanças. Este montante pode ser utilizado para cobrir despesas regulares, como impostos ou manutenção de veículos. No entanto, muitos ponderam se devem investir esse dinheiro ou utilizá-lo para amortizar o crédito habitação, reduzindo assim os encargos mensais.
A escolha entre amortizar o crédito ou investir depende de vários fatores, principalmente do custo do crédito e do retorno que se espera do investimento. É crucial avaliar as condições específicas de cada crédito e a situação financeira de cada consumidor antes de tomar uma decisão.
Para decidir se deve usar o reembolso do IRS para amortizar o crédito habitação ou investir, comece por comparar a taxa de juro do seu empréstimo com a rentabilidade que pode obter com um investimento. A taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) do crédito representa o custo total do empréstimo, incluindo juros e comissões. Se a TAEG for superior à rentabilidade líquida de um investimento, a amortização do crédito é a opção mais vantajosa.
Por outro lado, se a rentabilidade líquida do investimento for superior à TAEG, poderá ser mais interessante aplicar o reembolso do IRS em produtos financeiros. Por exemplo, se a TAEG do crédito for de 4,5% e a rentabilidade de um depósito a prazo for de 1,5%, a amortização do crédito é a melhor escolha. Contudo, se a rentabilidade de ações for de 6%, pode ser mais vantajoso investir.
Amortizar o crédito habitação pode ser uma boa estratégia, especialmente em tempos de aumento das taxas de juro. Ao reduzir o capital em dívida, diminui-se o montante de juros a pagar ao longo do tempo e, potencialmente, a prestação mensal. Além disso, ao amortizar, fica-se menos exposto à incerteza, especialmente em créditos com taxa variável.
É importante ter em mente que a amortização antecipada pode envolver custos. Os bancos costumam cobrar uma comissão de 0,5% para créditos com taxa variável e 2% para créditos com taxa fixa.
Se tiver mais do que um crédito, como um crédito pessoal, deve priorizar a amortização do crédito com a taxa de juro mais elevada. Se o objetivo é reduzir o total de juros a pagar, a melhor estratégia é amortizar o crédito mais longo e com maior capital em dívida.
Caso decida avançar com a amortização, deve comunicar ao banco a sua intenção com a antecedência necessária. Para créditos à habitação, o aviso deve ser feito pelo menos sete dias úteis antes da data de pagamento da prestação. Para créditos ao consumo, o aviso deve ser feito com 30 dias de antecedência.
Investir o reembolso do IRS pode ser mais vantajoso quando o custo do crédito é baixo. No entanto, produtos com capital garantido, como depósitos a prazo, podem não oferecer um rendimento atrativo. Investimentos em ações ou ETFs têm potencial para retornos mais elevados, mas também envolvem riscos.
Em resumo, vale a pena investir se a rentabilidade líquida do produto for superior à TAEG do crédito, se o horizonte temporal for de pelo menos cinco anos e se o investidor estiver confortável com o risco.
Por exemplo, se o reembolso do IRS for de 3.000€ e o capital em dívida no crédito habitação for de 125.000€, com uma TAEG de 4,2%, a amortização pode resultar numa poupança significativa. Ao amortizar, pode reduzir a prestação mensal e o custo total do empréstimo, tornando esta opção mais vantajosa do que investir em produtos com baixo retorno.
Antes de decidir, considere também fatores como a necessidade de um fundo de emergência, a sua taxa de esforço e o seu perfil de risco. Ter um fundo de emergência é essencial para lidar com imprevistos, enquanto a taxa de esforço deve ser mantida abaixo dos 35% para garantir a sustentabilidade financeira.
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Fonte: Doutor Finanças





