O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim ocorre num contexto de transformação significativa da ordem global. Mais do que uma simples reunião, este evento simboliza a transição para uma era marcada pela competição estratégica e pela fragmentação política.
Enquanto os Estados Unidos e a China se afirmam como os principais protagonistas do século XXI, a Europa enfrenta um período de incerteza e perda de confiança. A guerra na Ucrânia expôs vulnerabilidades nas áreas militar e energética, enquanto a desaceleração da economia alemã abalou as bases do antigo motor industrial europeu. Além disso, a crise migratória levantou questões profundas sobre identidade e segurança, revelando a incapacidade dos sistemas políticos tradicionais em responder eficazmente às preocupações sociais.
A inquietação em relação aos Estados Unidos também se intensifica. A ascensão de Trump como figura central da política americana leva muitas capitais europeias a questionar se Washington ainda valoriza as alianças sob uma lógica civilizacional ou se passou a adotar uma abordagem mais transacional.
Neste cenário de incerteza, o encontro entre Trump e Xi ganha uma importância histórica. O que está em jogo em Pequim vai além de questões comerciais, como tarifas e semicondutores; trata-se da capacidade de proporcionar estabilidade e previsibilidade num mundo cada vez mais fragmentado.
Durante décadas, Europa e Estados Unidos foram vistos como modelos de modernidade política e prosperidade económica. Contudo, o Sul Global observa o Ocidente com um misto de respeito e crescente ceticismo. A perda de dinamismo económico na Europa e a polarização política nos EUA contribuem para essa visão, assim como a discrepância entre discurso e prática em crises internacionais, como as que envolvem a Ucrânia e Gaza.
O Sul Global começa a entender que uma ordem internacional sustentável não pode ser construída apenas através de sanções e alinhamentos forçados. A estabilidade do século XXI exigirá coexistência e negociação entre diferentes modelos políticos. A China procura posicionar-se não apenas como uma potência emergente, mas como defensora de uma ordem baseada no pragmatismo económico e na multipolaridade.
O encontro em Pequim talvez simbolize o reconhecimento de que a nova ordem global não será exclusivamente ocidental, mas plural e competitiva. Como disse Confúcio, “o homem virtuoso busca a harmonia, mas não a uniformidade”. Este pode ser o maior desafio do século XXI.
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Fonte: Sapo





