Carência de competências digitais em Portugal: uma oportunidade

Portugal enfrenta um desafio significativo na sua ambição de acelerar a transformação digital. Embora existam políticas públicas e programas de requalificação, como a Academia Portugal Digital e o Emprego + Digital, a concretização desta meta depende da superação de um obstáculo crucial: a carência de competências digitais entre os profissionais portugueses.

De acordo com os relatórios da Década Digital, em 2024, apenas 56% da população entre os 16 e os 74 anos possuía competências digitais básicas. Este cenário manteve-se em 2025, com a União Europeia a identificar lacunas significativas entre aqueles com níveis de escolaridade mais baixos. O Eurostat revela que Portugal apresenta uma das maiores disparidades na literacia digital da Europa: enquanto 88,9% das pessoas com formação avançada têm competências digitais básicas ou superiores, este número desce para 23,2% entre os indivíduos com menor instrução. Estes dados evidenciam a dificuldade da população em acompanhar a digitalização da economia, sublinhando a urgência de investir na capacitação tecnológica.

Este desafio não é exclusivo de Portugal. Em várias economias, existe um desfasamento entre a velocidade da inovação tecnológica e a capacidade das pessoas e organizações para a acompanhar. A falta de trabalhadores qualificados para implementar novas tecnologias nas empresas resulta numa queda da produtividade e da capacidade de inovação, afetando a competitividade nacional.

A atualização de competências tornou-se, assim, uma necessidade imperativa para que profissionais e empresas possam prosperar num ambiente cada vez mais digital. No entanto, reconhecer esta necessidade não é suficiente. É crucial que as organizações apostem na requalificação dos seus colaboradores, criando programas de aprendizagem práticos e adaptados à realidade de cada empresa. Estes programas devem permitir que os profissionais adquiram habilidades alinhadas com as suas funções e que possam ser facilmente aplicadas no seu dia a dia.

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Os benefícios de investir em competências digitais são evidentes. Profissionais mais qualificados resultam em equipas mais produtivas e inovadoras, capazes de ajudar as organizações a desenvolver a agilidade necessária para acompanhar as transformações do mercado. Assim, a atual escassez de competências pode deixar de ser um obstáculo e tornar-se um ativo estratégico, fortalecendo a economia nacional e a sua competitividade a nível global.

A diferença entre economias será cada vez mais determinada pela capacidade de manter profissionais continuamente atualizados e prontos para responder às exigências do mercado. Portugal encontra-se numa posição única para aproveitar esta oportunidade. Para tal, é fundamental que decisores políticos e empresas colaborem na definição de estratégias que incentivem a formação contínua dos trabalhadores, integrando a capacitação digital nas políticas de emprego e desenvolvendo programas de atualização de competências alinhados com as necessidades do mercado.

Num contexto em que a tecnologia evolui mais rapidamente do que as competências, investir na capacitação dos trabalhadores não é apenas uma necessidade; é o caminho para transformar um obstáculo num motor de crescimento económico. Com os investimentos certos e uma estratégia consistente, Portugal pode posicionar-se na vanguarda da transformação digital na Europa.

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competências digitais Nota: análise relacionada com competências digitais.

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Fonte: ECO

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