Maria João Carioca, CFO e Co-CEO da Galp, tem enfrentado um ano repleto de desafios num contexto de elevada volatilidade geopolítica, macroeconómica e energética. Em entrevista ao ECO, a gestora partilha como a empresa tem navegado por esta incerteza sem perder a clareza estratégica. “O maior desafio tem sido garantir disciplina financeira e flexibilidade operacional, enquanto tomamos decisões em tempos de imprevisibilidade”, afirma Carioca.
A abordagem da Galp tem sido conservadora, focando na flexibilidade financeira e na diversificação das fontes de financiamento. A gestão atenta da dívida é uma prioridade, especialmente quando se considera a complexidade das operações da empresa em diferentes geografias. “Não deixámos que a volatilidade paralisasse o nosso processo de transformação”, sublinha a CFO.
Maria João Carioca destaca ainda a importância da articulação entre as suas funções, que lhe permitem ter uma visão integrada do negócio e das pessoas. A liderança partilhada com João Marques da Silva tem sido fundamental para que os principais projetos da Galp continuem a avançar sem interrupções. “Este modelo de liderança permite que a governança não seja um obstáculo, mas sim uma ferramenta para a tomada de decisões”, explica.
No que diz respeito à gestão da incerteza internacional, Carioca refere que a preparação é crucial. A Galp trabalha com diferentes cenários e reforça os mecanismos de controlo de risco, mantendo um balanço sólido. “Estamos a trabalhar com cenários prudentes, pois a incerteza se mantém elevada”, revela.
A CFO também aborda os desafios específicos de liderar um grupo multinacional, onde é necessário entender e navegar por realidades distintas. “Desenvolver projetos em países como o Brasil ou a Namíbia implica lidar com diferentes enquadramentos regulatórios e fiscais”, explica. No entanto, a diversidade geográfica da Galp também permite identificar padrões que podem ser replicados em outros mercados.
Com o aumento das taxas de juro e a incerteza nas condições de financiamento, Carioca enfatiza a importância de estar preparada para diferentes cenários. “O importante é assegurar que a Galp está pronta para enfrentar várias trajetórias”, afirma.
Por fim, no contexto dos IRGAwards, onde Maria João Carioca é uma das nomeadas para o prémio CFO, a gestora sublinha o papel transformador que um CFO pode ter na valorização dos trabalhadores. “O CFO deve ser um agente de transformação, investindo em ferramentas digitais e criando um ambiente que promova a autonomia e o desenvolvimento de competências”, conclui.
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Fonte: ECO





