A rigidez laboral em Portugal é um tema frequentemente debatido, mas muitas vezes não se compreende o seu verdadeiro impacto na economia. Enquanto alguns custos são facilmente mensuráveis, como os que aparecem nos relatórios financeiros das empresas, outros são invisíveis e silenciosos, mas têm um peso significativo no futuro económico do país.
As decisões que não são tomadas devido à rigidez do mercado de trabalho não aparecem nas estatísticas, mas são fundamentais para entender a erosão da competitividade nacional. Por exemplo, empresas que ponderam expandir as suas operações podem hesitar em contratar novos colaboradores devido ao medo de não conseguir ajustar a estrutura se o crescimento não ocorrer como esperado. Este receio, que não está relacionado com a falta de ambição, mas sim com a incerteza do processo de contratação, pode levar a decisões que travam o desenvolvimento.
Um caso ilustrativo é o de uma empresa portuguesa do setor tecnológico que planeava abrir uma nova unidade de desenvolvimento. Apesar de ter o mercado e o financiamento garantidos, a incerteza sobre a capacidade de ajustar a equipa caso o crescimento não se materializasse levou a que o projeto fosse adiado para fora de Portugal. Este tipo de decisão não altera imediatamente a taxa de desemprego, mas contribui para uma perda silenciosa de oportunidades de crescimento.
Para entender melhor a questão, considere uma pequena ou média empresa que planeia contratar cinco quadros intermédios, com um custo anual de 140 mil euros. Embora à primeira vista pareça um investimento claro, a incerteza sobre a necessidade de reduzir essa equipa num futuro próximo pode aumentar o custo percebido para valores que rondam os 200 ou 250 mil euros. Assim, a decisão de contratar pode ser adiada ou cancelada, não porque o projeto não faça sentido, mas porque o risco associado à contratação se torna desproporcional.
Este raciocínio, multiplicado por milhares de empresas, resulta em menos contratações, menos ambição e, consequentemente, menos crescimento. Portugal não está apenas a perder empregos, mas também as oportunidades de os criar. A questão que se coloca é: quanto crescimento estamos a perder por decisões que nunca chegam a ser tomadas devido à rigidez laboral?
É fundamental que as reformas no mercado de trabalho sejam realizadas em momentos de aparente estabilidade, não quando o sistema está sob pressão. Reformar em períodos de conforto relativo é a única maneira de garantir um futuro com mais emprego, melhores salários e menos precariedade. Para isso, é necessário encontrar um equilíbrio que reduza a incerteza nos processos de cessação e crie mecanismos de ajustamento ágil em contextos adversos.
A rigidez laboral não se traduz apenas em menos empregos, mas também no emprego que nunca chega a existir. A reflexão sobre este tema é essencial para o futuro económico de Portugal.
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rigidez laboral rigidez laboral Nota: análise relacionada com rigidez laboral.
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Fonte: ECO





