As bolsas globais enfrentaram um mês de março complicado, com desvalorizações acentuadas devido ao início da guerra no Irão. Os investidores, receosos do impacto da escalada dos preços do petróleo na economia, afastaram-se dos ativos de risco. O índice europeu Stoxx600 caiu 8%, enquanto o norte-americano S&P500 desvalorizou 5,1%, evidenciando a vulnerabilidade da economia europeia a choques energéticos.
Contudo, a viragem para abril trouxe uma recuperação significativa, com muitos índices acionistas a recuperar as perdas e até a alcançar máximos históricos. Este desempenho ocorre num contexto de crise petrolífera, classificada pela Agência Internacional de Energia como a mais grave de sempre, com o Estreito de Ormuz a bloquear cerca de 20% das matérias-primas energéticas consumidas globalmente.
O que está a justificar esta recuperação nas bolsas? A resposta está na resiliência da euforia em torno da Inteligência Artificial, impulsionada pelos resultados do primeiro trimestre das empresas do setor. O lançamento do ChatGPT pela OpenAI, no final de 2022, marcou o início deste movimento, com o índice tecnológico Nasdaq a acumular uma valorização de 132% desde então.
As empresas de tecnologia, especialmente as de chips, estão a liderar este rally. O Nasdaq valorizou mais de 28% desde o final de março, com o índice Philadelphia Semiconductor a disparar 69%. Em contrapartida, as empresas de software enfrentam uma pressão crescente, uma vez que a evolução da Inteligência Artificial ameaça tornar obsoletos muitos dos seus serviços.
As cinco maiores tecnológicas norte-americanas, conhecidas como hyperscalers, planeiam investir 750 mil milhões de dólares este ano para aumentar a sua capacidade de computação e ofertas na cloud. Este investimento é crucial para suportar a crescente procura por soluções de Inteligência Artificial, beneficiando diretamente as empresas de hardware e chips.
Os resultados do primeiro trimestre mostram que os lucros das empresas ligadas à Inteligência Artificial aumentaram 50%, com as empresas de chips a quase duplicarem os seus resultados. Este desempenho contrasta com os lucros do S&P500, que subiram menos de 30% no mesmo período.
Enquanto as empresas de chips estão a brilhar, as de software enfrentam um cenário mais complicado. A pressão sobre este setor é acentuada pela rápida evolução dos modelos de Inteligência Artificial, que podem substituir serviços tradicionais. O índice S&P Software & Services caiu quase 30% entre os máximos de outubro e os mínimos de março, refletindo as preocupações dos investidores.
Neste ambiente, a Alphabet destaca-se como uma das grandes vencedoras da Inteligência Artificial, com um aumento de 34% nas suas ações em abril, impulsionada por resultados financeiros robustos. Em contraste, a Meta enfrenta dificuldades, com uma valorização muito inferior e um saldo negativo em 2026.
Apesar das incertezas e ameaças que pairam sobre o setor, as empresas de chips continuam a ser o foco da euforia, gerando retornos significativos para os investidores. A Inteligência Artificial está a moldar o futuro dos mercados acionistas, e a corrida pela liderança neste setor promete continuar a ser um tema central nas bolsas.
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Fonte: Doutor Finanças




