Luís Montenegro, líder do PSD, apresentou uma moção de estratégia global intitulada “Trabalhar – Fazer Portugal Maior” durante o congresso do partido, onde reafirmou a intenção de promover uma redução de impostos. No entanto, ao contrário do programa do XXV Governo Constitucional, que estabelecia metas concretas, a nova proposta carece de compromissos numéricos claros.
A moção de Montenegro destaca a necessidade de uma transformação económica, enfatizando a criação de riqueza e a valorização do mérito, mas evita especificar quaisquer objetivos quantitativos para a redução de impostos. O programa governamental, por sua vez, delineava uma redução do IRS em dois mil milhões de euros ao longo da legislatura e uma descida gradual do IRC. A comparação entre os dois documentos revela uma mudança de foco: enquanto o governo apresenta a redução de impostos como um estímulo económico, a moção do PSD transforma a questão fiscal numa questão política e identitária.
Montenegro argumenta que “o Estado continua demasiado pesado” e que é necessário libertar o potencial económico do país. A moção propõe uma Administração Pública menos interventiva, com menos burocracia e maior confiança nos cidadãos e empresas. No entanto, a ausência de metas concretas é uma das principais diferenças em relação ao programa governamental, que se comprometia com alívios fiscais específicos.
Além disso, a moção sugere uma abordagem mais estrutural à fiscalidade, criticando os “bloqueios burocráticos” e defendendo um “quadro regulatório eficiente”. Montenegro sublinha a importância de criar um ambiente que incentive o investimento em Portugal, afirmando que a elevada taxa de IRC é um obstáculo à competitividade.
No que diz respeito ao IRS, a moção enfatiza conceitos como “mobilidade social” e “recompensa do esforço”, mas sem quantificar as futuras reduções de impostos. A falta de compromissos numéricos pode ser vista como uma tentativa de evitar promessas que possam ser difíceis de cumprir, especialmente num contexto de pressão orçamental crescente.
A moção também aborda a reforma laboral, mantendo a linha do programa do governo, mas acentuando a necessidade de flexibilidade e produtividade. Montenegro defende que o país deve ser mais competitivo e capaz de reter talento, mas a sua proposta apresenta uma visão mais liberal em relação ao mercado de trabalho.
Politicamente, a moção de Montenegro posiciona o PSD como uma força dominante no centro-direita, rejeitando alianças com o Chega ou o PS. O líder do PSD critica diretamente os governos socialistas, acusando-os de falta de ambição e propondo uma agenda de transformação.
Em suma, a proposta de Montenegro para a redução de impostos reflete uma mudança de estratégia, focando mais na ideologia do que em compromissos concretos. A ausência de metas claras poderá levantar questões sobre a viabilidade das promessas feitas e a capacidade do PSD de implementar as suas propostas.
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redução de impostos Nota: análise relacionada com redução de impostos.
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Fonte: ECO





