Alemanha e França pedem reformas urgentes na política farmacêutica

As potências económicas da Europa, Alemanha e França, uniram-se para lançar um alerta sobre a necessidade de reformas urgentes na política farmacêutica. Em uma declaração conjunta, as ministras da Saúde dos dois países, Nina Warken e Stéphanie Rist, destacaram que o mercado europeu de medicamentos enfrenta um risco crescente de perder a sua atratividade e competitividade.

Este aviso foi feito durante a Assembleia Mundial da Saúde, onde os ministros enfatizaram que, se a Europa não agir rapidamente, poderá perder o seu peso na corrida global pela inovação biomédica. A situação já está a afetar o acesso dos doentes a terapias inovadoras, além de comprometer a autonomia sanitária do continente.

O documento apresentado exige que Bruxelas acelere reformas como a Lei da Biotecnologia e a Lei dos Medicamentos Críticos, que se encontram bloqueadas há anos. Estas medidas são vistas como essenciais para recuperar a competitividade farmacêutica da Europa em relação a países como os Estados Unidos, China e Índia, que estão a liderar na investigação, produção e desenvolvimento de novos medicamentos.

Apesar de a Europa ainda representar cerca de 25% das vendas farmacêuticas a nível mundial e contar com um mercado potencial de 520 milhões de cidadãos, o setor tem vindo a perder competitividade. O excesso de regulamentação, a lentidão burocrática e o endurecimento das normas ambientais e laborais têm contribuído para este cenário, tornando a Europa menos atrativa para investimentos em comparação com os seus concorrentes asiáticos e norte-americanos.

Outro problema que preocupa os ministros é a crescente deslocalização da produção farmacêutica. Nos últimos dez anos, uma parte significativa do fabrico de princípios ativos e medicamentos essenciais foi transferida para países como a Índia e a China. Esta dependência tornou-se particularmente evidente durante a pandemia e nas recentes tensões geopolíticas, que expuseram a vulnerabilidade da Europa em termos de abastecimento.

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A mensagem de Berlim e Paris é clara: a competitividade farmacêutica da Europa precisa de ser revitalizada através de ações concretas e imediatas. Caso contrário, o continente poderá enfrentar consequências graves na sua capacidade de inovar e de garantir o acesso a tratamentos essenciais para a sua população.

Leia também: O impacto da regulamentação no setor farmacêutico europeu.

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Fonte: Sapo

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