O consórcio Eurofighter está a apostar na colaboração com a indústria portuguesa para a produção de peças para os futuros caças da Força Aérea, na sequência da substituição dos F-16. Iván González Expósito, responsável pela campanha do Eurofighter em Portugal, afirma que a oferta do consórcio é transparente e sem custos ocultos, o que representa uma vantagem significativa para o país.
Com uma experiência de 15 anos no consórcio e envolvimento em várias campanhas internacionais, Expósito revela que já foram assinados 13 acordos de confidencialidade e realizadas 10 avaliações industriais com empresas portuguesas de destaque, como Aernnova, EEA e OGMA. O objetivo é mapear os papéis que estas empresas poderão desempenhar na cadeia de fornecimento global do Eurofighter.
A Airbus, um dos principais parceiros do consórcio, já tem uma presença significativa em Portugal, com cerca de 1.700 colaboradores e mais de 35 fornecedores locais. Expósito destaca que a Airbus adquire anualmente 87 milhões de euros em produtos e serviços em Portugal, dos quais 20 milhões são destinados a programas de defesa. Esta rede robusta de fornecedores facilita o desenvolvimento da indústria local.
Apesar da concorrência de outros fabricantes, como a sueca Saab com os caças Gripen, o Eurofighter apresenta-se como uma opção viável. A transparência nos preços e a previsibilidade dos custos operacionais são fatores que podem influenciar a decisão do Ministério da Defesa português. Expósito garante que não haverá surpresas financeiras para Portugal, pois os preços de aquisição e manutenção serão semelhantes aos praticados pelos países fundadores do consórcio.
Recentemente, o Eurofighter organizou um “Industry Day” em Portugal para apresentar o consórcio e as suas várias empresas parceiras, como a BAE Systems e a Leonardo. O intuito foi estimular a colaboração com a indústria nacional, não só da Airbus, mas de todas as empresas que integram o consórcio. Expósito sublinha que a colaboração não se limita ao Eurofighter, mas também se estende a outras plataformas da Airbus.
As conversas com as empresas portuguesas estão em andamento, e o consórcio está a realizar uma prospeção ativa para identificar oportunidades de colaboração. Embora a compra dos caças seja um fator importante, Expósito afirma que o Eurofighter está aberto a desenvolver projetos independentes que beneficiem tanto a Airbus como as empresas locais.
A indústria de defesa portuguesa tem mostrado potencial em áreas como aeroestruturas e manutenção de aeronaves. Empresas como a Aernnova e a Mecachrome destacam-se na produção de peças metálicas e compósitos, enquanto a OGMA é reconhecida pela manutenção de aeronaves e motores. O consórcio Eurofighter vê uma grande oportunidade de colaboração com estas empresas, não apenas para o Eurofighter, mas também para outros projetos da Airbus.
O consórcio está empenhado em garantir que o investimento em defesa permaneça na Europa, considerando que o orçamento do Ministério da Defesa provém dos cidadãos portugueses. Expósito acredita que a população gostaria de ver este investimento a beneficiar a indústria local e a contribuir para o desenvolvimento de capacidades tecnológicas na Europa.
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Fonte: ECO





