Hoje, a sede do Partido Republicano do Povo (CHP), o maior partido da oposição turca, foi cercada pela polícia, numa ação que visa destituir o seu líder, Özgür Özel. Esta decisão judicial, que afastou Özel do cargo na quinta-feira, gerou uma onda de protestos e confrontos entre apoiantes do líder destituído e da nova liderança do partido.
Na manhã de hoje, numerosos apoiantes de Özel, que foi eleito em novembro de 2023, ocuparam a sede do CHP, bloqueando a entrada da equipa de Kemal Kiliçdaroglu. Este último, antigo líder do partido, foi reinstalado por ordem judicial, o que provocou uma divisão acentuada dentro do partido. Apesar dos confrontos no exterior, a polícia de Ancara foi chamada para retirar os apoiantes de Özel, enquanto parlamentares leais a ele permaneciam no interior da sede.
A decisão que levou à destituição de Özel baseou-se em alegações de compra de votos durante o congresso do partido em 2023. Esta sentença, que ainda será alvo de recurso no Supremo Tribunal da Turquia, anulou não só os resultados do congresso de 2023, mas também os de congressos subsequentes, resultando na mudança da liderança do CHP. Özel, que conta com o apoio da maioria dos 138 membros do CHP no parlamento e de presidentes de câmara de várias capitais provinciais, considera que esta decisão é uma manobra política do governo para enfraquecer a oposição.
Durante a liderança de Kiliçdaroglu, o CHP manteve uma intenção de voto de cerca de 25%. No entanto, nas eleições municipais de 2024, com Özel à frente do partido, o CHP alcançou 37% dos votos, superando o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) do presidente Recep Tayyip Erdogan. A próxima eleição presidencial está marcada para 2028, mas a situação do CHP é complexa, especialmente com o presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, preso e a enfrentar acusações de corrupção.
Observadores políticos afirmam que os processos judiciais contra o CHP, centrados em alegações de corrupção, visam neutralizar o partido antes das próximas eleições. O governo, por sua vez, defende que os tribunais turcos atuam de forma imparcial e independente. Em meio a esta crise, Özel manifestou-se disponível para entregar a liderança a Kiliçdaroglu, caso este seja eleito num congresso que deverá ser convocado num prazo de 40 dias. Até ao momento, Kiliçdaroglu apenas afirmou que o congresso ocorrerá “no momento oportuno”.
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Fonte: Sapo





