Álvaro Covões: Medo de Falar 52 Anos Após o 25 de Abril

Álvaro Covões, fundador e diretor-geral da Everything Is New, foi o 79º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. Desde muito jovem, Covões mostrou um forte envolvimento com a cultura, começando a trabalhar aos 12 anos no bar do Coliseu dos Recreios, propriedade da sua família. Para ele, a arte e a cultura fazem parte do seu ADN, não apenas por necessidade, mas por paixão.

Durante a sua juventude, Covões foi incentivado pelos pais a seguir uma carreira mais convencional, como a medicina. No entanto, a sua verdadeira vocação revelou-se quando se apaixonou pela cadeira de introdução à economia, levando-o a estudar gestão de empresas. Na faculdade, começou a organizar espetáculos, destacando-se ao trazer o espetáculo “Amália” ao Coliseu de Lisboa. O seu primeiro emprego no mercado financeiro como dealer foi uma experiência formativa, ensinando-lhe a importância de saber parar e recomeçar.

A transição de Covões para o mundo da cultura surgiu quando percebeu que havia uma lacuna no mercado de espetáculos em Portugal. Enquanto na Europa havia concertos diários, em Portugal apenas ocorriam de dois em dois meses. Ele viu uma oportunidade e decidiu dedicar-se à organização de eventos, contribuindo para a popularização dos festivais em Portugal, como o “Música no Coração” e o famoso NOS Alive.

Apesar do seu sucesso, Covões lamenta a falta de reconhecimento e apoio ao setor cultural em Portugal. Ele recorda que levou 20 anos a convencer o Turismo de Portugal sobre a importância dos festivais para atrair turistas. Para ele, a ausência de teatros privados em grandes centros urbanos nos últimos 50 anos é um sinal de que o Estado distorce o mercado cultural, prejudicando o desenvolvimento do setor.

Álvaro Covões também critica a falta de políticas eficazes para apoiar a cultura em Portugal. Ele compara a situação do país com a de nações como o Brasil e Espanha, que oferecem incentivos fiscais significativos para o investimento cultural. Para Covões, a cultura é essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico e da liberdade, e ele expressa preocupação com o medo que as pessoas têm de se expressar, mesmo 52 anos após o 25 de Abril.

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“É estranho, mas as pessoas têm medo de falar”, afirma Covões, sublinhando que o consumo cultural está diretamente ligado à criação de riqueza. Ele defende que um aumento na cultura pode levar a um melhor desenvolvimento económico e social.

Por fim, Covões mantém a esperança de que um dia a política em Portugal valorize mais a cultura e que uma nova geração de políticos traga mudanças positivas. Ele acredita que a cultura deve ser acessível a todos e que o apoio ao setor privado é crucial para garantir a liberdade de expressão e a diversidade cultural.

Leia também: O impacto dos festivais de música na economia portuguesa.

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Fonte: ECO

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